Teste de Rorschach: existe algum caso de censura válida?


Quando vi no Slashdot a chamada não dei muita atenção, pois imaginei que tivesse alguma coisa a ver com Watchmen, mas o Rorschach que andam debatendo é o trabalho do suíço Herrmann Rorschach, que criou um teste psicológico projetivo (pareidolálico) que tem por objetivo levantar um “mapa” da personalidade do paciente a partir das suas observações de dez ilustrações abstratas e simétricas.

Rorschach Munny by S*H*A*D*D*A*I.A discussão se dá devido ao fato de haver quem defenda a censura à Wikipedia (sempre ela), pois a divulgação de informações acerca do teste de Rorschach em larga escala poderia influenciar os resultados dessas pessoas, caso elas fossem submetidas posteriormente ao teste.

Eu, particularmente, acho uma grande besteira essa discussão. A Wikipedia (ou qualquer outro meio que se proponha a divulgar o conhecimento) não pode sofrer esse tipo de censura, principalmente nesse caso específico.

Primeiro, que não vai ser a Wikipedia o primeiro site a publicar informações acerca dos quadros de Rorschach. Segundo que o teste em si é subjetivo tanto para o paciente ao expressar o que percebe de cada imagem quanto para o profissional que faz a interpretação. Ou seja, não existe um “manual de procedimento” para nortear a interpretação das manchas.

Diz-se que o teste é “projetivo” porque ao interpretar as figuras em tese abstratas o paciente estaria projetando sua verdadeira personalidade de maneira espontânea e não filtrada.

Certa vez, numa empresa para quem eu prestava serviços, me submeteram ao tal do teste. Eu não havia até então me interessado pelos detalhes da interpretação das reações do testado (como o fato de — dizem — um sujeito compulsivo fixar-se em detalhes da imagem), mas logo vi que estavam tentando reduzir minha personalidade a meia dúzia de palavras que representariam ou não o meu insconsciente.

Resolvi pagar para ver, e à medida que a examinadora ia me mostrando as lâminas eu alternava as respostas entre “uma vulva”, “um par de seios” ou os dois na mesma resposta. Na mesma tarde estávamos os três reunidos: o dono da empresa, a examinadora e eu. O tema da reunião, claro, era o fato de eu não colaborar com os processos de melhoria da equipe. E eu me justifiquei para o “patrão”:

— Cara, não tenho culpa, ela me trouxe um monte de fotos de vulvas e seios, eu fiquei meio perturbado mesmo!

Bem, pelo menos ela não errou na interpretação: eu sacaneei geral, nem olhei para as porcarias das imagens: eram sensuais demais para um homem apreciar na presença de uma mulher! 😉

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Teste de Rorschach: existe algum caso de censura válida?

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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