“Termômetro do Mercado de Trabalho”


by Meanest Indian" href="http://www.flickr.com/photos/meanestindian/156516309/">Meanest Indian/Flickr Estava vendo televisão hoje e fui surpreendido por uma matéria falando de um tal de Termômetro do Mercado de Trabalho, um site que permite ao usuário calcular o seu “fator” de probabilidade de conseguir emprego nas regiões metropolitanas abrangidas pela ferramenta.

Para quem não conhece recomendo que visite o link acima, mas em linhas gerais posso dizer que é uma ferramenta baseada em estudos estatísticos realizados de 2002 para cá, que analisa alguns dados que não têm nada a ver com as habilidades técnicas da pessoa, e calcula a chance de se encontrar um emprego no próximo mês, no trimestre ou no semestre, bem como uma estimativa de média salarial e de longevidade da pessoa no emprego.

Nada disso é muito importante, na verdade; só o que interessa é a minha opinião, minha surpresa.

A primeira surpresa vem do fato de a única pergunta a respeito das possíveis habilidades do candidato ser sobre sua escolaridade. Todas as demais dizem respeito a aspectos que eu, na minha ignorância suprema, jamais imaginaria que tivessem tanto peso assim no cálculo.

Eu sei que a ferramenta nem teria como considerar aspectos específicos, como cursos técnicos, habilidades específicas, redes de contatos, etc.

Mas é interessante notar que, brincando com a ferramenta, é possível inferir que negros têm mais chance, em condições iguais, de conseguir um emprego do que um branco ou amarelo.

Da mesma forma, a ferramenta sugere que a idade conta muito: na simulação, um candidato com 60 anos de idade teria menos da metade de outro, em condições iguais, com 37 anos. E aos 60 anos de idade, quanto menor a escolaridade, maiores as chances de conseguir um emprego — imagino que seja devido ao fato de a demanda por mão de obra menos qualificada considerar mais a disponibilidade do trabalhador e oferecer salários mais baixos do que os postos de alto nível. E por falar em disponibilidade, a ferramenta do Governo do Estado de São Paulo sugere que candidatos disponíveis para trabalhar muito pela empresa têm maior probabilidade de conquistarem o emprego que procuram (quem topa trabalhar 12h diárias tem o dobro de quem se dispõe a “apenas” 8h por dia).

Igualmente surpreendente é o fato de ser fator de influência a situação do trabalhador perante sua família: se ele for o principal provedor da casa, tem mais chances de encontrar seu emprego do que se ele for responsável apenas por si mesmo.

Por fim, cabe notar as variações do fator pelas diversas regiões metropolitanas: a ferramenta sugere que em Porto Alegre é muito mais fácil de se encontrar um emprego do que em São Paulo! Queria ver é se a ferramenta daria o mesmo resultado se houvesse estudos semelhantes segmentados apenas para o mercado de TI.

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“Termômetro do Mercado de Trabalho”

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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