Seja legal consigo mesmo


Uma das coisas boas da vida, e na minha não tem sido diferente, é que em todo lugar por onde eu passe encontro novos mestres que ensinam diariamente como ser uma pessoa melhor. Alguns são mestres pela dor, outros pelo espelhamento direto dos “defeitos” e problemas, e outros pela paciência, amor e generosidade com que — literalmente — ensinam a viver a vida.

Aqui caberia um reconhecimento especial àqueles mestres mais presentes em minha vida, ou que mais têm inspirado, ou cujas participações foram mais decisivas. Contudo, fazer um agradecimento para um e não para outro dos mestres seria leviano, e seria humanamente impossível listar todo mundo aqui!

Ontem conversando com minha amiga ela me lembrou, numa única frase, de uma lição que não deveria ser nova para mim, mas que como tantas havia ficado esquecida: be kind to yourself.

Esta é uma das frases que fazem mais sentido se mantidas em Inglês, uma vez que uma mesma palavra pode ter múltiplas traduções, e nenhuma traduzir completamente o seu significado. “Be kind to yourself” pode ser traduzido diretamente para “seja gentil consigo”. Mas eu prefiro traduzir para “seja legal consigo” porque legal inclui outros conceitos além de, unicamente, a gentileza.

Autocrueldade

A maior parte das pessoas brilhantes que conheço, tanto pela sua atuação profissional quanto por sua inteligência e presença de espírito, são estressadas. Um tanto é pela pressão e pelo nível de cobrança externos a que acaba por submeter-se, mas outro tanto — presumo que muito maior que aquele — se deve às cobranças autoimpostas, e à autocrueldade.

Uma pessoa dessas não raro tem um comportamento que implica xingar-se quando comete um pequeno erro:

  • Que burro que eu sou!
  • Credo, como sou estúpido!
  • Mas eu sou uma anta, mesmo!

Este tipo de autoafirmação deixa explícito o quanto a pessoa tem uma percepção distorcida de si mesma.

Mulher com o rosto distorcido no espelho

Por mais trabalhador que um sujeito desses seja, por mais esforçado, dedicado, íntegro, uma crença interna (ou uma descrença em si, melhor dizendo) faz com que todas essas virtudes sejam “só obrigação”. Não adianta nem mesmo as pessoas em quem ele confia, amigos ou familiares, dizerem o contrário, reconhecerem seu talento e virtude: o nível de cobrança é tão absurdo que fazem ouvidos moucos para tais comentários.

O tratamento com os outros

A autocrueldade implica dois tipos de tratamento às outras pessoas, em dois momentos distintos: quando o sujeito está chegando à exaustão pelo estresse, e quando ele ainda está conseguindo administrar a pressão.

O normal é que o tratamento dado ao outro seja gentil, carinhoso, generoso, condescendente — tudo aquilo que a autocrueldade impede a pessoa de dar a si mesma.

Porém, quando a pressão chega a níveis críticos o sujeito “chuta o balde”, consciente ou inconsciente desta atitude: ele passa a agredir as pessoas próximas com indiretas e ironias, apresenta reações exageradas a coisas que normalmente sequer mereceriam sua atenção. Ele passa a dar ao outro aquilo que costumeiramente dá somente a si mesmo.

A cura

A cura para este comportamento passa necessariamente por integrar à própria existência a frase chave seja legal consigo mesmo.

É necessário lembrar-se desta frase o tempo inteiro, para corrigir no menor tempo possível os comportamentos e reações de autocrueldade.

É preciso aprender a relaxar.

Lindo gato relaxando

É preciso vigilância constante para não cometer o crime de ser injusto consigo mesmo, nem o de se autoviolar, o que requer vigilância constante.

E quando “errar”, e cair no velho condicionamento de se punir ou autocriticar porque falhou, lembre-se: seja legal consigo mesmo.

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Seja legal consigo mesmo

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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