Quem quer ser Justin Bieber?


Esta semana acabei vendo pedaços do filme Never Say Never, com o adolescente destroçador de corações de gurias acéfalas Justin Bieber.

Infelizmente peguei o filme em andamento, e mais infelizmente ainda não tive saco para assistir até o fim.

Justin Bieber On set Mas engana-se quem pensar que meu enfado com a película seja exclusivamente devido ao fato de eu não apreciar o estilo musical do pimpolho.

O fato é que Justin Bieber é um moleque de 16 anos de idade, que deveria estar fazendo qualquer coisa da vida dele, menos tendo a responsabilidade que tem. Claro que isso reflete a minha história de vida — saí de casa muito cedo, e com a idade do ídolo das adolescentes eu já não podia mais me dar ao luxo de simplesmente ser adolescente.

Justin Bieber, com tão pouca idade, e é verdade que com muito talento, também trabalha muito. Não sei quantas horas por dia, mas acredito que sejam todas.

Sem contar que o moleque não pode nunca mais nem pensar em desgrudar do guarda costas, que a professora de técnica vocal está o tempo todo pegando no pé, regulando até para ele não “desperdiçar” gogó antes de um concerto, além de outros profissionais que garantem que o show não pare nunca, porque não pode parar.

Como todo famoso, tem ainda a questão da privacidade (o planeta inteiro sabe que ele é virgem, por exemplo, mesmo sem ter nascido em setembro): aonde quer que o cabeçudo vá com seu boné de carregar melancia, sempre haverá fotógrafos, cinegrafistas, fãs, e toda sorte de gente inoportuna para tentar capturar algum instante de sua vida para vender aos veículos “formadores de opinião” de gurias acéfalas, que compram tudo o que vêem pela frente sobre seus ídolos.

Não posso sequer imaginar o tamanho da responsabilidade de Justin Bieber, tão jovem, tão famoso, e com tanta expectativa sobre ele. Quando Sandy e Júnior resolveram abrir mão de sua carreira em conjunto para cuidar da própria vida, sem abandonar a carreira artística, já foi um deus-nos-acuda porque estavam marcados pelo estigma de “irmãos eternos adolescentes caipiras à sombra dos pais famosos”. E se esse guri descobrir, daqui a um tempo, que está, por exemplo, saturado dessa pressão, que quer gastar a grana que já ganhou e não mais arrastar multidões? Como os pais vão encarar essa atitude?

Enfim, já estou viajando na maionese, mas o fato é que assistir ao “Never Say Never” do Bieber me fez ver o garoto com outros olhos: os de quem também saiu de casa muito cedo, logo se encheu de responsabilidades e hoje, aos quase quarenta, sente que deveria ter aproveitado muito mais a fase de mais vigor e resistência física para fazer coisas que nessa época não causam efeitos mais devastadores do que vergonha e cara de besta, mas que se eu tentar fazer hoje além de passar o maior ridículo posso estar botando minha integridade física em risco.

Compartilhe

Avalie este conteúdo!

Avaliação média: 4.7
Total de Votos: 10
Quem quer ser Justin Bieber?

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

Comente!

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.