Processo de criação


No dia 21 de agosto o Mauro Castro do Taxitramas (sem trackback porque aquele lixo do Blogger brasileiro não tem nenhuma ferramenta, nem feeds) escreveu uma crônica sobre seu processo de criação. No final de semana passado, pouco depois de ter assistido com meu irmão o filme Os Narradores de Javé, o assunto veio à tona em minha cabeça, e resolvi escrever um pouquinho sobre ele.

O filme conta a história de um lugarejo que vai ser inundado para a construção de uma barragem; os moradores desesperados então tentam criar um documento provando que Javé tem importância histórica, na tentativa de embargar a obra; só tem um problema: o único alfabetizado do lugar foi expulso da cidade porque escrevia cartas com fofocas sobre os moradores, a fim de impedir que o posto dos Correios fosse fechado, mantendo assim o seu emprego.

Não pude deixar de comparar o processo criativo de Biá — o personagem do filme —, altamente imaginativo, com o do Mauro, muito mais intuitivo e “automático”. E, como não poderia deixar de ser, essa reflexão levou a pensar sobre o meu próprio processo criativo, se é que existe.

E é claro que existe.

Descobri que gosto de escrever a partir de algo que eu tenha visto ou ouvido. Raramente alguma coisa que eu escreva tem raízes exclusivamente em meu pensamento. O normal é que eu esteja conversando um assunto com alguém, por exemplo, e daí surja a ideia para um artigo, para um conto ou uma crônica.

Agora entendo a frustração que o Blogue gera — paradoxalmente, é uma atividade que me dá muito prazer mas também um bocado de angústia. Normalmente quando tenho as melhores idéias para os melhores artigos ou estou desprovido de computador para redigir o texto, ou tenho coisa melhor a fazer, como continuar bebendo vinho e escutando meus amigos. E ter um Palm não ajuda muito nessa hora, pois normalmente não entendo mais o que eu próprio quis dizer quando fiz aquela tal anotação…

Aliás, caro leitor, você não imagina aonde eu tive de levar o laptop para não perder a inspiração para esta crônica de m*…

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Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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