Polígrafos ou detectores de mentira


A televisão é pródiga em evidenciar produtos ou comportamentos, e uma das coisas que estão em moda atualmente são os “polígrafos”, também chamados de detectores de mentira.

Polígrafo é o nome que se dá a um instrumento que registra variações em diversos processos fisiológicos simultaneamente, como o batimentos cardíacos, pressão arterial, sudorese, respiração, variações do tom de voz, movimentos pupilares involuntários, etc. Com algum treinamento (ou com o software adequado) é possível avaliar estas variações e deduzir se quando disse determinada coisa um indivíduo estava sendo sincero ou não.

OK, deixemos de hipocrisia: é fácil de montar um detector de mentiras em casa, se você tiver conhecimentos mínimos de eletrônica. Veja aqui um exemplo que requer apenas componentes simples e baratos, e que se baseia nas diferenças de condutividade da pele quando se mente.

Um detector de mentiras simples

Um detector de mentiras simples

É claro que não dá para comparar um aparelhinho como o do circuito acima, que deve custar uns 30 ou 40 Reais para montar, com os polígrafos de alta precisão que os programas de tevê mostram. Se você quiser ter um, mas não tiver habilidades com um ferro de solda, pode comprar um detector de mentiras pela própria Internet.

Mas não é isso que importa.

Em minha humilde opinião, o que importa é que não há máquina ou perito suficientemente capaz de detectar com certeza absoluta se uma pessoa está mentindo ou falando a verdade. Já vi, eu mesmo, muitos casos de pessoas perdidas na mentira, mas que nem ao menos se davam conta disto, e acreditavam nas próprias mentiras como se fossem a verdade —aliás, o mundo está repleto de pessoas assim. Sem contar, ainda, as pessoas suficientemente treinadas para mentir sem que seus corpos alterem uma única das variáveis que o polígrafo considera.

Polígrafo Analógico (imagem via Wikipédia)

Polígrafo Analógico (imagem via Wikipédia)

Entretanto, os assim chamados detectores de mentira tendem a se tornar aparatos cada vez mais populares pela grande atração que exercem nas pessoas, tanto porque ele parece uma espécie de adivinho eletrônico quanto pelo impacto emocional que causa em quem está sendo testado: quem opera a máquina sabe — ou deveria saber — que seus resultados não são confiáveis, mas quem está sendo testado não sabe disso, e pelo nervosismo de se sentir devassado em sua intimidade acaba facilitando para que suas respostas sejam avaliadas com mais precisão. Careço de bases que não estejam na própria web para afirmar com certeza, mas segundo me consta aos tribunais é vetado o uso do polígrafo justamente por atacar a dignidade do interrogado.

Uma moda que já pegou faz tempo no mercado é a de submeter os candidatos a emprego a testes grafológicos, sem o seu consentimento ou sequer conhecimento. Fico imaginando se já não há empresas utilizando-se do polígrafo para escolher candidatos, com a mesma eficiência da análise de um mapa astral, mas com uma maquiagem que dá mais a impressão de ciência exata do que de sortilégio (no caso da astrologia).

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Polígrafos ou detectores de mentira

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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