Para quem escrevemos, afinal?


Não gosto de fazer “metablogging” aqui no Blogue, ou seja, não gosto de escrever sobre a atividade de blogar. Nem no Lucrando na Rede não gosto de fazer isso, embora seja — de certa forma — da natureza deste daquele blog falar sobre o assunto.

Contudo, alguns acontecimentos meio recorrentes vêm se acumulando, e criando uma pressão interna que demanda um desabafo, e nenhum lugar seria mais adequado para ele do que o meu blog pessoal.

Na verdade, não é novo o meu ranço. Em Como Comprar Sibutramina Sem Receita eu já falei sobre um “fenômeno” que me incomoda para caramba: não importa sobre o que eu escreva, os artigos que “fazem sucesso” são sempre os mesmos. Isso dá uma frustração do cacete, porque a gente se esmera em pesquisar sobre um assunto, elaborar um texto, revisar, na expectativa de que pessoas o leiam e comentem ou linkem o que leram. O resultado é sempre o mesmo: meia dúzia de leitores recorrentes, certamente assinantes dos feeds, que se dispõem a vir até o blog e deixar um comentário. A grande massa só quer saber de mulher pelada e de comprar remédios controlados sem receita médica.

Em outras palavras, creio que posso categorizar meus leitores em três grupos.

1. Os leitores de verdade

Esses são os que assinam os feeds, ou então que vêm todo dia até os blogs em que escrevo para ver o que há de novo. São aqueles que já são amigos, de uma ou de outra forma, que comentam aqui no blog ou por e-mail, ou por MSN, ou mesmo de viva voz. Mais tarde eu retomo o assunto sobre eles, que são a segunda verdadeira razão de existência dos meus blogs (a primeira sou eu mesmo).

2. Os paraquedistas

São aqueles que digitam alguma pesquisa no Google, e acabam chegando aos meus blogs. A esperança é que eles gostem do que leiam, e acabem tornando-se assinantes ou leitores habituais. Se não gostarem do que encontrarem, normalmente os paraquedistas apenas não vão mais voltar, e pronto.

2.1. As salsinhas paraquedistas

As salsinhas, como definiu o Cardoso, são aqueles leitores estúpidos incapazes de entender o contexto em que uma frase está escrita. Devido a suas limitações neurológicas conseguem identificar uma sílaba por vez apenas: quando lêem a sílaba seguinte já esqueceram da anterior, razão pela qual não conseguem interpretar um texto.

Justamente por este motivo as salsinhas costumam deixar comentários disparatados nos artigos da gente. Como a criatura que escreveu no artigo que usei para ilustrar esse artigo o comentário “quero comprar sibutramina sem receita“. PQP, o texto todo é rechaçando gente estúpida que enfia para dentro do cérebro drogas perigosas sem o menor controle médico, alheias às conseqüências que possam ter, e a sujeita vem deixar justo esse comentário? Não dá para querer!

3. Os sem-noção

Esses são os piores, pois têm características de leitores (inteligência aparente, boa ortografia, raciocínio lógico, conhecimentos evidentes do funcionamento de computadores e da Internet como um todo) mescladas com o que há de pior nas salsinhas (ignorância quanto a contextos, prepotência e falta de respeito).

No artigo Depoimento do Xavier (ou André) fica bem evidente um caso assim: um sujeito que pensa que estou 24h por dia na frente do computador apenas esperando os comentários que deixam no único artigo que as salsinhas encontram em meu blog sobre emagrecimento, que não entende por que é necessário moderar comentários em um blog, ao não ter sua vaidade saciada (ao ter seu nome estampado no “melhor” comentário de uma série de mais de quatrocentos) resolve simplesmente partir para a agressão gratuita. É claro que eu só poderia mesmo dar uma resposta à altura (ou à baixeza) dele, embora não me agrade em nada agredir os meus leitores.

Outro exemplo de sem-noção pode ser encontrado no artigo Mudança no Programa de Referências do AdSense. Nele um sujeito, dono de um blog “concorrente”, assina os comentários nonsense com palavras-chave que definem o blog. Além de não falar nada sobre o texto em questão, de assinar com palavras-chave, ele ainda veio querer tirar satisfação das regras para comentários que meus blogs ostentam. É claro que eu editei o comentário e troquei as palavras-chave pelo termo “troll“, embora — quando eu digo que sou bonzinho não me acreditam — tenha mantido o link para o site do sujeito no comentário. Era isso que ele queria, mais nada, apenas o link sem nofollow, e foi isso que ele teve. Contudo, o sujeito coroando meu diagnóstico mandou mais alguns comentários desaforados, e inclusive mandou outros com outros nomes inventados, e outros e-mails, todos me agredindo. Como eu sei? Simples, saíram todos do mesmo computador. Enchi o saco, e ao invés de ficar perdendo meu tempo deletando comentários inúteis bloqueei toda a faixa de IPs de ADSL dele no htaccess. Se ele não gosta do meu blog, tampouco precisa ter acesso.

Ah, claro, esqueci de dizer que senso de humor é outra coisa que falta aos sem-noção, haja vista esse comentário no blog da minha amiga. Contudo, por mais paradoxal que seja, esse tipo de coisa me faz rir. Muito. Só não histericamente porque isso é coisa de mulherzinha, valeu?

Technorati : metablog, paraquedistas, problogging, salsinhas

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Para quem escrevemos, afinal?

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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