Paixão temporã


Temporão, para quem não sabe, quer dizer “fora de época”; diz-se de algo que nasce quando não há nada que justificasse qualquer expectativa.

Minha paixão temporã também foi totalmente inesperada, insólita, ou não seria temporã.

Não saberia dizer quando começou. Quando eu me dei conta, estava totalmente mergulhado no universo de sensações e sentimentos que suscita uma paixão. Tão intenso que até hoje guardo com carinho os resquícios desse terremoto que exacerbou a fragilidade de minhas bases.

Talvez o que mais tenha provocado minha paixão tenha sido aquele jeitinho tímido de quem nunca fez. A vontade de tocar meu corpo, de descobrir detalhes, de causar sensações, fez-me sentir desejado de uma maneira ímpar. Por um momento cheguei a pensar até que este sentimento é o que se deturpa e enlouquece a ponto de produzir pedófilos criminosos.

A timidez do beijo, o brilho no olhar, o coração cavalgando, o sexo úmido e túrgido pronto a receber o meu, denunciavam que eu não era o único apaixonado.

Sua pele macia faiscava ao toque dos meus dedos, o calor de seu corpo incendiava meus instintos.

Foram 36 horas de duração, mas as marcas desta paixão em minh’alma são inexpurgáveis.

Cavalgada
Roberto e Erasmo

Vou cavalgar por toda a noite
Por uma estrada colorida
Usar meus beijos como açoite
E a minha mão mais atrevida

Vou me agarrar aos seus cabelos
Para não cair do seu galope
Vou atender aos meus apelos
Antes que o dia nos sufoque

Vou me perder de madrugada
Para te encontrar no meu abraço
Depois de toda cavalgada
Vou me deitar no seu cansaço

Sem me importar se neste instante
Sou dominado ou se domino
Vou me sentir como um gigante
Ou nada mais do que um menino

Estrelas mudam de lugar
Chegam mais perto só para ver
E ainda brilham de manhã
Depois do nosso adormecer

E na grandeza deste instante
O amor cavalga sem saber
E na beleza desta hora
O sol espera para nascer.

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Paixão temporã

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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