O Lado Bom do Bolsonarismo

Ao procurar pelo seu lado bom constatei que o bolsonarismo é uma esfera.


Desde que o bolsonarismo virou uma espécie de bandeira para uma grande parcela da sociedade tem muita gente sofrendo — tanto com o desmonte da civilidade promovido pelo presidente e por seus ministros, secretários e demais parceiros quanto pelo fato de que uma aparente onda de barbárie e violência parece erguer-se como um tsunami de dejetos cujo objetivo é destruir a sociedade e a civilização no Brasil.

Sem entrar no mérito de toda morte e destruição promovidas pelo governo em si, gostaria de me convencer de que há, sim, pelo menos um aspecto positivo nesse retrocesso todo. De fato, com um pouco de esforço é possível identificar até mais de um.

O primeiro aspecto positivo do bolsonarismo (sendo que o sufixo ismo representa doença, segundo dizem por aí) é que nós temos a oportunidade de ver o quão fantasiosa era a ideia de que o Brasil houvesse alcançado algum grau de civilidade nos últimos anos. Nos últimos 500, no caso.

Afinal, se houvesse mesmo essa civilidade toda que acreditávamos nós (as pessoas que não se coadunam com o bolsonarismo e tudo o que ele representa) não seriam correntes de WhatsApp e absurdos como “mamadeira de piroca” e “kit gay” que representariam ameaça. Mas o fato é que a estupidez voluntária, a ignorância e a estultícia como motivos de orgulho estão alimentando um sistema político que caminha a passos largos para uma convulsão social em que irmãos vão matar uns aos outros em nome de asneiras como “liberdade de expressão” e “direito de defesa pessoal”.

O segundo aspecto positivo disso tudo é uma variação do primeiro: os vermes e as ratazanas portadoras da morte e da assolação da cultura, da civilidade e da empatia estão saindo de suas tocas, fortalecidos pelo orgulho por seu hebetismo, estão mostrando a cara claramente. Os que antes ficavam enrustidos, disfarçados num discurso de pretensa sensatez, agora dizem exatamente quem são, tanto pelo discurso textual quanto pelos heróis que escolhem para si.

Em se tratando de sobrevivência, tanto agora quanto nos tempos que se avizinham, é fundamental saber quem pode realmente ser um aliado e quem pode vir a nos dar um tiro na cara apenas por não gostar de quem somos, do que pensamos, de como nos vestimos, de que música ouvimos, ou qualquer outro “motivo” tão disparatado quanto estes.

Que venha logo o tsunami de inépcia e de bestialidade pois a única maneira de sairmos dele é entrando e mergulhando fundo na lama tóxica dos valores representados pelo bolsonarismo. Muitos de nós não sobreviverão. Outros tantos talvez precisem retirar-se da luta, buscando asilo em outras paragens mais amigáveis à cultura e à expressão de amor e gentileza. Mas muitos também serão os que conseguirão atravessar o aluvião de toleima, fortalecidos o suficiente para saber que estar do lado certo da História significa também estar ciente de que não há vitória definitiva: a luta não cessa.

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O Lado Bom do Bolsonarismo

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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