Nada a Comemorar

Infelizmente, não há motivos para comemorar, não importa o que aconteça, em função de tudo o que já aconteceu, no que diz respeito ao possível impedimento (ou não) da Presidente Dilma.


O pior de tudo é que não vai haver motivo para comemorar.

  • Se Cunha adiar o processo de votação todos perdemos, menos os bandidos que se beneficiam de toda patifaria e corrupção que orbitam a política.
  • Se a votação sair e optarem pelo impedimento da presidente todos perdemos, menos os bandidos que se beneficiam de toda patifaria e corrupção que orbitam a política.
  • Se a votação sair e Dilma continuar sendo a presidente todos perdemos, menos… Bem, vocês entenderem meu ponto.

Se a decisão for adiada por manobras do Cunha, o caos e a incerteza se arrastam, até um dos dois desfechos possíveis.

O primeiro desfecho possível, de Dilma continuar no cargo, implica governabilidade zero, pois se a oposição já vem desde o dia da eleição armando todo tipo de patacoada para chegar ao poder sem terem votos suficientes para isso, imaginem o que vão aprontar no caso de “mais uma derrota” (que é como eles veem, preocupados apenas com o próprio pirão, e não que a farinha seja pouca).

O segundo desfecho, de a câmara dos deputados optar pelo impedimento da presidente (nunca vou me acostumar ao presidenta), significa ainda mais arrocho para as camadas mais pobres da sociedade, que os privilegiados teimam em chamar de vagabundos, desocupados e usurpadores de vagas nas universidades que, segundo os privilegiados, deveriam ter só “gente de bem”. Significa o fim das investigações da Lava Jato, o fim das punições (não que tenhamos visto tantas assim), porque o objetivo de tirar a artificialmente demonizada Dilma do poder já terá sido alcançado.

Petralha é a cancela batedeira que te pariu

Como há uma forte dicotomia na sociedade, uma polarização estúpida que leva à vida de todas as pessoas a burrice que até então eu achava ser típica apenas dos torcedores de futebol, cumpre dizer: não é porque eu acho que o impedimento da presidente é descabido que eu seja alienado a ponto de defender incondicionalmente o PT ou qualquer outro partido.

Eu teria dezenas de motivos para dizer que Dilma não me representa, mas vou me limitar a cinco, sem entrar em detalhes:

  • eu não votei na Dilma (mas não havia ninguém melhor que ela concorrendo);
  • os discursos sem pé nem cabeça, como engarrafamento de vento ou saudação à mandioca;
  • Mariana;
  • Belo Monte;
  • diminuição das áreas de preservação em favor da agricultura predatória.

Apesar de todos os erros, este foi um governo eleito por 54 milhões de votos que não podem ser desrespeitados — mas já foram, pouco importa o que vier a acontecer d’agora em diante. Temer foi eleito junto com Dilma Rousseff, mas para ser vice e não para ser presidente. E Eduardo Cunha foi eleito pelos eleitores dele para ser deputado, e não vice presidente da república.

Infelizmente, não há motivos para comemorar, não importa o que aconteça, em função de tudo o que já aconteceu.

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Nada a Comemorar

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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