Música brega (ou: não vou sofrer sozinho)


Fui jantar com amigos hoje, e pessoas cultas que somos, acabamos falando do “fenômeno” Michel Teló. Como tudo é relativo, acabamos comparando o sucesso dele com outras “maravilhas” do passado, tais como Eguinha Pocotó e a melô da atoladinha, cujo título real eu desconheço — eles são bem mais cultos que eu.

No decorrer do jantar, entre uma rodada de camarões e um prato de salmão, acabamos citando outros artistas que fizeram sucesso no passado, e que hoje são cult, ou praticamente eruditos comparados aos tchê-tchererês da vida.

Acontece que esse tipo de música fica grudado no ouvido, na mente, ou sei lá eu em que parte do sistema neurovegetativo do cidadão, e estou estertorando a ponto de quase não lembrar das delícias marinhas a que me dei o prazer em tão festiva ocasião.

E como sofrimento que se divide é menos difícil de se aturar, vou fazer com que vocês esqueçam de Michel Teló ouvindo o melhor do brega dos Anos 70 e 80, na Argentina e no Brasil!

Duo Pimpinela — Olvidame y Pega La Vuelta

Muita gente não sabe, mas o Duo Pimpinela é formado por um casal de irmãos: Lucía e Joaquín Galán. Continuam na ativa até hoje, e embora seja difícil de precisar qual de suas canções seja a mais brega, é certo que a mais conhecida, inclusive por causa das inúmeras versões que foram regravadas, é a fabulosa Olvidame y Pega La Vuelta (Me Esqueça e Siga seu Rumo,nas versões em Português).

Para a tortura ser completa, o mesmo vídeo, porém dublado em Português.

Sandro de América — Tengo

Roberto Sánchez, mais conhecido por seu nome artístico Sandro (de América) foi um showman argentino que fez muito sucesso em terras portenhas desde o final da década de 60 até os últimos dias de vida.

Mais impactante para mim do que saber a trajetória do artista — tudo o que eu precisava saber dele está nos vídeos abaixo — foi ver as coincidências de suas datas de natalício e passagem (sim, eu sei que me puxei nesses sinônimos) com as de meu pai:

  • Sandro nasceu em 19 de agosto de 1945; meu pai em 19 de agosto de 1947;
  • Sandro faleceu em 04 de janeiro de 2010; meu pai em 06 de janeiro de 2008.

Coincidências à parte, o melhor vídeo que achei da performance do argentino Sandro cantando seu sucesso mais lembrado à nossa mesa desta noite não faz jus a toda sua grandeza. No início ele era roqueiro, mas a ditadura vigente à época se incomodava demais com a maneira como ele dançava, e ele acabou pendendo para o estilo no qual acabou consagrando-se. Então, apresento o vídeo abaixo, de 1983, com uma apresentação com vários sucessos do astro.

É claro que você conhece essa música na voz e no rebolado do canastrão professor de escolinha Sidney Magal, e o vídeo abaixo, bastante recente, fica ainda melhor pela participação do Chico Sá e do Paco, digo, da Débora Falabella.

Jane e Herondy — Não Se Vá

Sem entrar no mérito da originalidade da dupla, o fato é que em 1976 o casal estourou em sucesso com Não Se Vá. A título de curiosidade, eles estão juntos até hoje. Na verdade estiveram casados por 33 anos, ficaram 7 separados, e se reconciliaram, ocasião em que resolveram também retomar a carreira juntos.

Hermes Aquino — Nuvem Passageira

Aqui devo confessar que por mais brega que seja, eu gosto muito dessa música do Hermes Aquino. Aliás, dessa e de todas, que de tão parecidas parecem uma só.

Sempre tive dificuldade de entender como um músico desse nível, poeta de letras profundas significativas, dono de uma voz bonita e cálida, acabou virando autor de jingles para as Lojas Bom Lar (desculpe se você não é taquarense para pegar a referência, mas é isso mesmo que você pensou).

Detesto esses vídeos em que as pessoas enfiam fotos bestas, mas infelizmente as apresentações originais não tinham a mesma qualidade de áudio deste.

E para quem não acredita que as músicas do Hermes Aquino são muito parecidas, a — acredito — segunda mais conhecida dele, Desencontros de Primavera, que não foi citada no jantar com meus amigos, segue como bônus.

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Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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