Minha gata trepando


[sec200x200]Eu sempre leio o blog do Matt Cutts, aquele cara que é um dos engenheiros do Google, porque vira e mexe ele tem temas interessantes para quem tira o sustento, entre outras coisas, do tráfego obtido pelo buscador que paga o salário dele. O cara sempre fala da Emmy, a gatinha dele, que adora se enfiar em espaços apertados, e para quem ele comprou um objeto que é uma espécie de “caixa para gatos” para ficar sobre a mesa de trabalho.

Já faz tempo que quero falar sobre minha nova gatinha, a Clara (Bem vinda, Clara), mas por considerar, de certa forma, um assunto meio fútil, vou deixando para lá.

Agora chega de besteira, e vou fazer um post no maior estilo caderninho de guria, e não quero nem saber. O que importa é que vou mostrar uma foto da minha gata trepando sobre o meu ombro, que parece ser um dos seus lugares favoritos.

Nesse exato momento ela está quase como na foto acima. Quase, porque está dormindo feito uma pedra, enquanto eu trabalho.

[jc-livros]A Clara está comigo já há um mês. Portanto, foi antes de a Patrícia Pillar estreiar na novela com um personagem homônimo. Está na “adolescência” felina, deixando de ser filhote para se tornar uma gata adulta.

A história dela começa numa ninhada de não sei quantos filhotes, que foram rapidamente adotados por novos donos. Menos a Clara. A coitadinha, que nem tinha nome ainda, estava prestes a ser afogada no tanque de lavar roupa, porque os donos da mãe dela não queriam mais gatos em casa. A amiga de uma amiga minha acabou se compadecendo da gatinha, levou-a para casa e deu-lhe um nome.

Essa família tinha a Clara, mas cuidar dela mesmo é algo que eu não posso dizer que eles fizessem: no dia em que conheci a gatinha, essa família havia avisado que estava doando ou vendendo baratinho uns móveis, porque estavam indo embora do Brasil. Fui lá para comprar um sofá e um rack para a tevê (na verdade é um balcão, mas está servindo de rack) e acabei me deparando com a gatinha.

— Quer ficar com ela? A gente vai mandá-la embora hoje à noite, vamos largar lá na Redenção.

Como assim, largar na Redenção? Então o bicho fica seis meses com uma família, o que para o bichinho é 100% da sua puta vida, e de uma hora para outra é simplesmente descartável? O que tem de melhor em ser largada na Redenção para virar patê para cachorro do que ser afogada no tanque de água da roupa suja?

Eu ainda estava chateado pela perda do Tommy (Tommy’s dead, baby, Tommy’s dead), e não sabia se estava preparado para um novo bicho de estimação. Mas considerando as chances da Clara, achei que qualquer alternativa seria melhor do que os prognósticos de curto prazo caso eu não ficasse com ela.

Levei-a para casa. Magrinha, assustada, com ferimentos na cara (porque quem tem rosto é gente), fungos que deixavam malhas de pele sem pêlo. Só chegou dentro de casa e escondeu-se debaixo da geladeira, só saindo umas 16h depois, quando a fome apertou demais. No dia seguinte ela fugiu outra vez.

[sub2]

Ficou de domingo a sexta desaparecida, e na tarde de sexta eu chegava em casa com dois amigos, um deles viu a Clara no corredor do prédio.

— Janio, tem um gatinho preto miando aqui.

Ela havia entrado pela janela da vidraça do corredor do prédio, e ante qualquer gesto de qualquer um dos dois ela fugia. Mas a minha aproximação ela permitiu. Levamo-la para dentro, e demos água e comida. Achei que ela fosse morrer de indecisão, pois ela não sabia em qual das duas tigelas fartar-se-ia primeiro. Optou pela comida.

[sub1]

Aos poucos ela foi se adaptando à nova casa. Até hoje não confia em ninguém, a não ser em mim. Já perdeu muitas das manias terríveis que ela tinha, como caminhar sobre a mesa ou sobre a pia da cozinha (os antigos donos a alimentavam só com restos de comida, aqui em casa ela só come ração), mas ainda é um tanto arisca. É só ouvir a campainha que ela some, vai se esconder sob a estante.

Outro dia chamei um veterinário para dar uma olhada nela. O que mais me chocou foi ele dizer que para a sua idade ela era uma gata magra e subnutrida; mostrou-me a dentição dela, e explicou que a falta do canino superior esquerdo provavelmente teria sido causada por um chute na cabeça, ou uma queda muito feia.

Coitada da minha gatinha: subnutrida, analfabeta, rejeitada e espancada.

Agora, está me dando um último grande trabalho: está no cio. O veterinário sugeriu adiar a castração devido à subnutrição dela. O pior já passou, mas muitas vezes dei graças a Deus por não ter vizinhos no prédio. E na próxima semana, será uma fêmea a menos no mundo incapacitada de exercer a maternidade. Meio cruel, mas é um gesto de amor por ela e por mim.

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Minha gata trepando

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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