Jair Bolsonaro Esfaqueado

Ou como mártires vencem eleições sem precisarem nem ao menos ser inteligentes.


Jair Bolsonaro foi esfaqueado na barriga no dia 06 de setembro de 2018, a um mês das eleições presidenciais, durante atividades de campanha em Juiz de Fora, MG.

Sem querer chover no molhado, o discurso de Bolsonaro representa tudo o que eu, pessoalmente abomino: é um discurso raso, destituído de inteligência e de empatia. Ou seja, o que as maiorias privilegiadas querem ouvir.

Bolsonaro prega a violência, embora seus cordeirinhos insistam que ele a combata. Só faltam dizer que ele é pacifista, apesar de dizer que petistas devem ser metralhados, e que homossexuais devem apanhar caso manifestem seu afeto em público.

Por conta disso, muita gente (eu, inclusive) pensou que fosse um golpe midiático, porque não se viu sangue jorrando como se fosse uma torneira no bucho do candidato, nem nas imagens feitas na rua logo após o ataque, nem mas imagens de dentro do hospital onde ele recebia os primeiros atendimentos. Claro, tudo ignorância.

O fato é que tenha sido armação (não acredito que tenha sido), tenha sido um ataque legítimo, trata-se de um fato lamentável, um golpe mais grave na combalida civilidade social do Brasil ainda mais grave que o que atingiu as tripas do candidato que abomino.

Porque temos hoje, basicamente, três tipos de eleitores no Brasil:

  • os que apoiam porque se identificam com o discurso truculento e raso de Bolsonaro, e têm orgulho em levantar esta bandeira;
  • os que repudiam totalmente qualquer tentativa de resolver pela violência qualquer diferença, silenciando pela destruição qualquer adversário ou opositor; e
  • os que concordam com o discurso higienista mas não têm coragem de encarar as críticas que receberiam caso assumissem publicamente a simpatia pelo ódio em forma de gente.

O ataque a Bolsonaro produziu um mártir.

Os adoradores do sujeito agora sentem-se fortalecidos, e se ignorarmos as teorias conspiratórias imbecis de que o PSOL teria encomendado a morte do sujeito, sobra a legitimidade que eles vão ter de sentirem-se vítimas de uma sociedade que caminha, ou caminhava, a passos curtos e lentos rumo a um ínfimo esvaziamento das desigualdades.

Os opositores das ideias desta pessoa lamentam profundamente que Bolsonaro tenha sido ferido, e desejam seu restabelecimento o mais rápido possível, porque é assim que pessoas decentes agem — e não debochando de pessoas feridas ou mortas, como é comum entre os apoiadores da violência.

Porém, o “problema” mesmo é que os eleitores enrustidos do Bolsonaro agora vão encontrar o pretexto que faltava para legitimarem sua desde sempre existente simpatia.

Jair Bolsonaro deve sua eleição em primeiro turno (a confirmar, mas por favor não critique meu momento Mãe Dinah — pelo menos não ainda) à facada desferida por um sujeito que compartilha dos mesmos valores, que acredita que uma arma para silenciar o antagonista seja mais addequado do que o debate e a troca de ideias.

O atentado à vida de Bolsonaro, por mais estranho que pareça, é lamentável. É tudo de que o Brasil não precisava. E é tudo que faltava para o ódio generalizado tomar conta do país.

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Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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