Homofobia: eu tenho pena dos preconceituosos


De ontem para hoje acabei lendo uns dois ou três posts sobre homofobia no futebol, trazidos pelo (recomendo que sigam e que leiam o que o cara escreve), e orbitando o Richarlyson e a torcida do São Paulo.

De tudo o que vejo quanto ao desrespeito aos homossexuais, o que acaba restando é só pena. Mas não das vítimas evidentes do preconceito, e sim dos infelizes que acabam externando toda essa merda que é tudo o que têm em seus corações e mentes.

Digo isso porque todos os casos de homofobia que chegam a ser tratados revelam apenas duas causas possíveis para este comportamento. As duas muito tristes.

A primeira causa psicológica possível para a homofobia é abuso homossexual na infância. Crianças que tiverem sido vítimas de adultos homossexuais inescrupulosos tenderão a execrar a homossexualidade porque esta ficará a todo instante trazendo à consciência a dor, a humilhação, o sentimento de impotência que uma situação de abuso causa.

Logo, de quem apresenta comportamento homofóbico em consequência de ter sido abusado na infância, eu tenho pena, muita pena.

A segunda causa psicológica possível para a homofobia é a vontade de desbundar que não é secundada pela coragem para tal.

Desse é que tenho mais pena (embora não tenha olho clínico o suficiente para distinguir o abusado do enrustido), pois é dele que está mais próxima a felicidade, mas ele insiste em destruir a alheia, em vez de buscar a sua própria. Digo isso porque o abusado (que fique claro, neste contexto “abusado” é apenas o termo que define a vítima de abuso) para poder livrar-se do trauma precisa fazer um esforço imenso, principalmente de perdão por si e pelo abusador. Ou seja, ele tem uma “justificativa” muito sólida para o caso de resolver estagiar por mais tempo nesse estado de ignorância e cegueira mental.

Já a bicha enrustida que posa de machão, a que se finge de pegador, que espanca seus irmãos em Humanidade simplesmente porque não su-por-ta que essas bichas assumidas sejam mais felizes que ela, essas são as mais infelizes, porque a única coisa que têm de vencer é a própria tacanhice, nem trauma não têm, e ainda assim não o fazem.

É por isso que digo: manifestações de homofobia me dão mais pena do pretenso agressor do que da vítima evidente.

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Este post não tem imagem ilustrando porque se eu pusesse dois homens gays eu os estaria desrespeitando; se eu ilustrasse com uma imagem de algum ativista antigay, eu os estaria incentivando. E como este texto não é feito para crianças, é melhor pensar que só elas é que procuram pelas figuras nos livros, já que adultos sabem ler.

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Homofobia: eu tenho pena dos preconceituosos

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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