FBI prende fabricantes de sintonizadores de satélites


Na boa: era só questão de tempo, qualquer um sabe disso.

Para quem está por fora, um resumo rápido: as empresas prestadoras de serviços de tevê por assinatura via satélite criptografam o sinal da sua programação, e o sintonizador fornecido por elas tem os recursos necessários para descriptografar este sinal e reproduzir a imagem e o som corretamente no televisor do assinante; o mesmo se dá com as operadoras de tevê a cabo, só mudando o meio de propagação dos dados. O que estes caras que foram presos fazem, como muitos, é produzir um aparelho capaz de sintonizar este sinal (que está por aí, na atmosfera, qualquer aparelho na mesma frequência o capta) e de descriptografá-lo, permitindo que seu usuário assista à programação fechada sem ter de dar satisfação à operadora de tevê.

Satellite Dishes by watchsmartÉ claro que não demoraria muito para que fosse iniciada uma caça aos fabricantes deste tipo de aparelho, que são tratados como ladrões. Não tenho “a manha” do jargão usado pelos juristas para descrever com propriedade o que acontece nesse caso, e por isto vou deixar que os interessados leiam a notícia diretamente no site do Ars Technica.

O que eu quero falar é outra coisa.

Fui assinante da DirecTV, que virou Sky, durante muito tempo. Tirando o fato de o atendimento deles ser ruim, de nunca cumprirem os horários combinados, como se quem paga por televisão fosse alguma sorte de desocupado (não é por eu trabalhar em casa que eu seja vadio ou esteja sempre ocioso), o maior problema — em meu ver comum a todas as operadoras de televisão por assinatura — é o preço exorbitante que custam.

No início deste ano resolvi cancelar a assinatura, pois o tempo que eu passo diante da tevê é muito curto para justificar um gasto mensal de quase duzentos Reais. E os pacotes mais baratos não me interessam, porque de nada me adianta ter tevê paga e não ter disponível o canal que me interessa.

São pessoas como eu que acabam se tornando o potencial mercado destes fabricantes de “descramblers” para satélite (também conhecidos como AZBox). Pessoas que pagariam numa boa um valor justo (no meu caso, eu pagaria até R$ 50,00 mensais numa boa pela programação da Sky), mas acham um absurdo serem extorquidas mensalmente de uma pequena fortuna.

Aí essas pessoas acabam fazendo as contas nos seguintes termos: 500 Reais de um AZBox, 100 Reais de uma antena para satélite, 75 de um LNB representam três meses de mensalidade de uma assinatura “normal”, sem contar que os canais PPV (pay-per-view) também ficam liberados da mesma forma.

Claro que as empresas tentam se proteger de todas as maneiras desse tipo de pirataria, e fazem isso trocando de tempos em tempos a chave de criptografia, o que esses “fornecedores alternativos” remediam fornecendo atualizações mensais, ou na periodicidade necessária, do arquivo que contém esta chave, e normalmente fica armazenado em um simples pendrive, para facilitar a manipulação.

Um dos aspectos interessantes de se pesquisar sobre este assunto é ver que para burlar as regras rígidas que proíbem a venda deste tipo de equipamento os vendedores criam gírias que chegam a ser engraçadas: em vez de dizer que o AZBox vem com tantos canais pré-programados eles dizem que o jardim já vem com 240 espécies de flores. Em vez de falar na Net, operadora de tevê a cabo, eles falam na “poderosa”, ou trocam seu nome por Danete. Ou, ainda, falam de B4ND, S3T, REC0RD, 3LOBO para evitar que pelos nomes das emissoras os anúncios entrem em evidência e sejam desativados.

E o mais legal de ver é que todos os vendedores “garantem” (sem garantir, entenda quem puder) que seus “descramblers” já estão habilitados a operar com o novo padrão Nagra 3 que vai substituir os atuais sistemas baseados em smartcards, ou então que tal substituição não acontecerá.

De minha parte, não gosto de pirataria, não gosto de negócios escusos ou de negociações sombrias. Mas que bastaria as operadoras de televisão a cabo aliviarem um pouco a rapacidade sobre o bolso do consumidor, tratando-o com mais respeito e cobrando um valor justo que esse mercado informal perderia a razão de ser rapidamente.

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Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

2 comentários

  • Francisco Amaral Bernardo:

    se as operadoras de tv via satélite e á cobo do Brasil melhorarem seus serviços e valores cobrados com certeza a pirataria deminuirar e muito.

    • Janio Sarmento:

      Você se importaria de reescrever seu comentário em Português, para que eu possa entender? Em que idioma mesmo que existe a palavra “diminuirar”?

Comentários fechados.

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