Fazer ou reclamar?


Meu novo apartamento, devido à idade, está sujeito a eventuais avarias, e há umas duas semanas apareceu um vazamento na pia do banheiro. Um horror, tudo molhado, o tempo todo tendo de secar o piso, não dava para usar a torneira porque o vazamento ficava pingando por horas. A água tinha uma cor amarronada horrorosa, e o cheiro que exalava era de madeira podre. Chamei o encanador pelo menos três vezes nesse período, e sempre o cara não podia, chegava na hora H e ele me dava o cano, e o vazamento cada vez mais irritante, sem contar o desperdício de água, que é algo que realmente me deixa fora de mim.

Aí no sábado resolvi abrir a porta do balcão e com a lanterna do celular tentar identificar onde estava o problema. Deitei no piso molhado e sujo, enfiei a cabeça na escuridão fétida do balcão, foquei a luz que eu tinha no que tinha possibilidade de ser uma causa, e identifiquei com precisão onde estava o problema (de solução era muito simples): uma pequena quantidade de massa epóxi numa junta meio gasta, algumas horas sem usar o sistema e agora o problema está devidamente sanado, e a pia sendo usada da maneira como o cara que a projetou queria que fosse.

Essa estorinha real me fez pensar: quantas vezes nos atolamos nos nossos próprios problemas, quantas vezes esperamos que alguém os resolva por nós, quando seria muito mais simples deixar de lado o medo e o nojo de sujar as mãos, e colocá-las para trabalhar?

Creio que não seja uma particularidade minha não querer sujar as mãos, não querer nem mesmo dar “aquele” olhar sobre o assunto, porque sabemos que uma vez que identifiquemos e reconheçamos o problema só restam duas possiblidades:

  1. ou você constata que não tem nada para fazer sobre o caso e aplica a máxima “o que não tem solução, solucionado está”;
  2. ou você assume que o que precisa ser feito para consertar a situação desagradável está totalmente em suas mãos, e se não agir você estará sendo apenas um grande idiota que nunca faz nada, apenas para poder continuar reclamando mais e mais.

Estou falando isso por causa tanto de problemas existenciais, que só dizem respeito a quem os está vivendo, e a problemas de ordem coletiva, como o já conhecido de todo mundo aquecimento global, ou o esgotamento das reservas de petróleo, principal fonte de energia do planeta, ou das reservas de água potável.

Fico profundamente preocupado quando vejo, por exemplo, o desperdício de papel em ações inúteis como panfletagem (desperdício de papel e de petróleo, na forma da tinta, sem contar a eletricidade usada no processo produtivo). Além do mais, os panfletos vão parar no lixo, ou nas sarjetas, entupindo os esgotos que em dias de chuva transbordam e pioram o caos das cidades.

Certa vez minha noiva e eu caminhávamos pela rua movimentada num sábado à noite, e à nossa frente um casal de mais idade. Ele de mãos no bolso, e ela chupando um picolé. Ao terminar, a beleza simplesmente deu uma desmunhecada típica de peruas, e deixou na calçada o palito e a embalagem do picolé, bem no caminho por onde as pessoas passavam. Não tive dúvida: larguei da mão da guria e corri para juntar o lixo do chão. Cheguei do lado da mulher e disse: “com licença, senhora, a senhora deixou cair isso”. Ela ficou me olhando com cara de idiota, e o marido emendou: “eu te disse que um dia alguém ia te fazer passar vexame na rua, sua porcalhona”.

E você, o que acha que as pessoas poderiam estar fazendo (continuamente, por isso o gerúndio) e não estão? Deixe um comentário e destile sua indignação você também!

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Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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