Faturamento com propaganda no Blogue do Janio será revertido em favor dos necessitados

19 de fevereiro de 2010 • Por Janio Sarmento, em Metaposts

Muita gente (tanto dos que me conhecem bem quanto dos que mal ouviram falar da minha pessoa) acha que eu só mantenho este e outros blogs por causa do dinheiro. Isto não é verdade.

Eu gosto, sim, do dinheiro que ganho com meus blogs. Eles têm uma função no meu orçamento, já que o valor é considerável (ganho mais com meus blogs do que muita gente com seus empregos de 40h semanais), mas basta ver que eu escrevo com uma frequência bem baixa para sacar que dinheiro não é o que me move.

Acontece que eu acho que seja lá o que se faça na vida tem que beneficiar pessoas para ter valor. Escrever coisinhas engraçadas aqui, descarregar meu mau humor na forma de textos absurdos, ajudar os anunciantes a venderem seus produtos, facultar a pessoas interessadas em comprar que encontrem seus fornecedores, tudo isso faz parte do sentido de ter um blog.

Só que isso tudo é pouco. Tem que ser maior.

Um blog — como qualquer veículo de comunicação — tem que ensinar, e nisso eu sei que estou falhando. E qualquer empreendimento tem que servir para ajudar pessoas além de encher o prato do próprio dono.

Crianças romenasConsiderando isso, estou a partir do mês de janeiro de 2010 direcionando todo o faturamento com proganda que obtiver aqui no meu blog, e no Meu Xperia, para uma institução que cuide de crianças carentes.

Ainda não escolhi qual será a instituição. Pedi sugestões, e duas pessoas responderam, mas honestamente estou inclinado a escolher a que me parecer mais necessitada de todas.

A razão de escolher uma instituição em vez de doar o dinheiro diretamente às pessoas é simples: quando se dá uma esmola resolve-se o problema imediato da pessoa, mas dentro de poucas horas ela estará novamente em necessidade; já uma instituição normalmente alcança mais crianças de uma só vez, e os cuidados que presta são continuados, muitas vezes indo além da alimentação, passando por educação e saúde.

Lembro que quando eu era criança na escola em que eu estudava havia várias crianças que viviam em um orfanato. Era notório que elas sentiam falta de um pai e uma mãe mais “tradicionais”, mas todas eram felizes, tinham muitos irmãos e irmãs, e uma educação invejável (Valéria, se estiver lendo isso, saiba que aos doze anos de idade eu era apaixonado por você, mas morria de medo daquele teu irmão negão cujo nome esqueci, e por isso jamais até hoje você ficou sabendo disso). Não fosse a instituição que os acolhera, saberá Deus qual teria sido o seu destino.

Sei que muitos vão dizer que não se devem dar esmolas na rua porque o recurso será usado para comprar drogas em vez de alimentos (crack está na moda, mas bebidas alcoólicas ainda fazem um grande estrago e são consideradas lícitas). Sei disso, mas tenho comigo que se eu der algum trocado para alguém na rua, o que ela vai fazer com o trocado não é mais problema meu, e sim dela.

Só que, reitero, um trocado na rua não ajuda nada na vida da pessoa que vai permanecer ali, em condições subumanas (maldito seja o acordo ortográfico). É necessário que façamos pelo semelhante algo que esperamos que “o governo” faça. E se não queremos dobrar a cerviz para ajudar estas pessoas diretamente, então que colaboremos com quem o faz.

Finalmente, escolhi direcionar este dinheiro para uma instituição porque é a maneira mais fácil de ajudar, e eu sou muito, mas muito comodista. Mas não é só de dinheiro que estas instituições precisam: mão de obra também é artigo raro, e uma tarde de trabalho voluntário, fazendo pelo semelhante o que se sabe fazer bem, pelo simples fato de poder ajudar, pode ser tão ou mais valioso quanto depósitos polpudos.

Pense nisso.

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