Eu, crente, quero um Estado laico


Silas Malafaia
Silas Malafaia

Em luta pelo direito à homofobia

Antes de mais nada, não que meus leitores habituais precisem disso, mas sim porque não vai tardar a chover salsinhas de cristo por aqui, devo dizer que sou crente porque acredito em Deus, sou teísta. Não sou evangélico, e repudio totalmente atitudes como a do Sr. Silas Malafaia (homofobia expressa apoiada em deturpação da verdade) ou do jornalista José Luiz Datena, que credita todas as mazelas sociais do Brasil aos ateus.

Da mesma forma, repudio o proselitismo, tanto de crentes que tentam converter ateus ou agnósticos quanto de ateus que tentam destruir a crença dos crentes.

Mas o que quero dizer é que eu quero um Estado laico para viver, conquanto eu seja crente. Não quero que nenhuma lei seja feita levando em consideração “valores cristãos” (entre aspas, porque o que tem de gente usando o adjetivo “cristão” de maneira absurda não está no gibi), muito menos que o fato de eu não seguir a religião dominante — seja Catolicismo, Umbanda, Espiritismo, Testemunhas de Jeová, Islã, ou qualquer seita neoevangélica dessas que ocupam todos os prédios que até alguns anos eram explorados pela indústria pornográfica — seja fator determinante de eu ser considerado menos cidadão do que os fanáticos que compõem a maioria.

Quero um Estado laico para que decisões como a descriminalização do aborto sejam consideradas à luz da saúde pública, e não de uma pretensa defesa da moral e dos bons costumes.

Quero um Estado laico para que direitos conquistados, e ainda insuficientes, de casais e indivíduos homossexuais sejam mantidos e ampliados, em vez de se incentivem as atitudes de discriminação e de ódio.

Quero um Estado laico para que a máxima “a César o que é de César, a Deus o que é de Deus” seja cumprida ao pé da letra, sem que interesses igrejeiros interfiram na já tão fragilizada política nacional, e que cada um possa ter sua liberdade de culto preservada.

Também quero um Estado laico para que quando comece um programa evangélico na televisão eu tenha a opção de mudar de canal e ver qualquer outra coisa.

Quero um Estado laico para que candidatos a presidente não precisem fingir uma religiosidade que não têm, apenas para garantir que vão amealhar os votos da imensa massa manipulável grotescamente chamada de “evangélicos”.

Quero um Estado laico para que às mulheres seja garantido o direito de se depilarem, principalmente nas axilas, de usarem roupas bonitas e do comprimento que desejarem, tanto quanto seus cabelos.

Enfim, quero um Estado laico para que ninguém precise ser lembrado na carne dos horrores medievais, quando muitas pessoas inocentes foram queimadas vivas apenas porque destoavam do que a “santa igreja” exigia.

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Eu, crente, quero um Estado laico

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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