Este mundo cada vez menor


Madrugada em Florianópolis, calor. O e eu caminhamos pela rua bêbados, cambaleantes, apoiados mais na teoria de que os ébrios têm um anjo da guarda exclusivo e vidas extra do que nas próprias pernas. Nem mesmo a bronca homérica que tomamos da ao chegarmos à casa deles nos faz corar, pois a bebedeira foi exatamente à guisa de comemoração pela gravidez do casal.

O texto acima é o resumo de um sonho muito doido que tive noite dessas com o jovem casal de Florianópolis. Já seria inverossímil pelo fato de eu ser — na maior parte do tempo — abstêmio. Mas é mucho loco mesmo pelo fato de eu sequer conhecer os dois pessoalmente! Quando estive em Floripa pela última vez ambos eram pouco mais que adolescentes espinhentos, e o Twitter só existia mesmo naquele lugar da Eternidade onde todas as coisas existem antes mesmo de terem sido inventadas.

Entretanto, minha experiência onírica não é de todo absurda, porque quando li que eles vão ser pais, que a Lu está mesmo esperando um bebê, fiquei genuinamente feliz por eles, como é comum que fiquem os amigos em situações especiais como esta.

Nunca os vi pessoalmente, mas sei coisas essenciais a respeito de ambos: são apaixonados, parceiros, inteligentes, gostam de gatos (se são ailurófilos eles têm que ser gente boa), éticos, responsáveis e mais um monte de adjetivos.

Sei disso porque eu os sigo no Twitter e eles transparecem isso o tempo inteiro. E não dá para evitar uma identificação que surge espontânea, a ponto de nutrir apreço por “completos estranhos”.

É obvio que como meio de comunicação a Internet e seus produtos encurtam distâncias ao facultar que pessoas nas mais distantes e inimagináveis querências troquem idéias e interajam. Mas mais que isso, a grande rede está possibilitando a pensamentos semelhantes e afins que se associem a despeito da distância geográfica, criando um universo potencialmente novo e transformador da realidade.

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Este mundo cada vez menor

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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