Espírito Natalino: aham, Cláudia, senta lá


Não se fazem papais noeis como antigamente!

Nessa época de fim de ano todo mundo fica doido, deprimido, ansioso, desesperado por comprar ou ganhar presentes, não raro as pessoas se endividam muito além das suas possibilidades por conta destes sentimentos deletérios.

Claro que o fato de — ao menos no Brasil — haver o chamado décimo terceiro salário para a classe trabalhador assalariada (da qual, felizmente, não faço mais parte há anos), que faz com que as pessoas tenham a ilusão de terem um poder aquisitivo muito maior do que sua real miséria.

Há uma outra acepção para o Natal, sem papai noel nem consumismo, que diz respeito ao nascimento do Cristo, mas falar sobre isso (novamente, já o fiz muito em anos passados) seria, de certa forma, chover no molhado: quem acredita e respeita, acredita e respeita; quem não, não. Ao menos em tese.

A troca de presentes natalinos já é uma mostra de situação privilegiada. As camadas realmente necessitadas da sociedade só ganham algum presentinho se a caridade alheia se materializar, caso contrário o Natal é apenas mais um dia de luta pela sobrevivência, como qualquer outro.

Mas gente que lê e escreve blogs já tem uma realidade melhor, e por isso vou fazer de conta que o mundo é feito só de gente que além das necessidades básicas (como banda larga e iMac) pode se dar ao luxo de participar de algum amigo secreto na empresa, ou de trocar presentes com amigos e familiares.

Vivemos uma sociedade tão fechada, em termos de manifestar sentimentos, que muita gente bacana só ganha um presentinho e algumas palavras carinhosas — mesmo que hipócritas — nessa época do ano.

As vítimas profissionais, que passam o tempo todo reclamando, acham horrível não serem lembradas o ano todo, e no fim do ano só o serem graças a um sorteio.

Mas quem está nessa situação deveria era aproveitar o real presente que está ganhando: a oportunidade de saber que também não está dando ao outro aquilo que espera receber.

A maioria dessas vítimas só  dá ao semelhante azedume o ano inteiro, mau humor, desconfiança, mas espera em troca receber amor, carinho e mimos.

E para terminar, e antes que eu me esqueça, feliz natal para você que me lê, gostando ou não, concordando ou não. Muito obrigado pela sua audiência.

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Espírito Natalino: aham, Cláudia, senta lá

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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