A diferença entre quem se é e quem se gostaria de ser

Tenho a crença de que todas as pessoas inteligentes almejam uma versão melhorada de si mesmas, se não na totalidade pelo menos em alguns aspectos. Continue a leitura para saber como eu lido, ou tento lidar, com isso.

24 de dezembro de 2016 • Por Janio Sarmento, em Crônicas

Não sei se é todo mundo, mas assim como muitas pessoas que me rodeiam eu quero sempre me tornar uma pessoa melhor do que eu sou. Se fizer um retrospecto sem falsa modéstia serei capaz de reconhecer alguns aspectos em que já obtive relativo sucesso nessa tarefa, mas certamente ainda não é tempo de ir para a zona de conforto (nunca será).

Ontem, contudo, minha amiga me deu um toque que me fez cair na real: em vez de eu estar sendo a pessoa que eu quero ser, a pessoa que eu nasci para ser, eu estava sendo pior do que uma versão anterior minha.

O momento exato ficou documentado no Facebook:

Catita, minha dileta amiga, muito obrigado por me resgatar da minha própria amargura.

De fato, é muito comum que as pessoas cometam o mesmo “erro” que eu: ficam tão transtornadas com os discursos de ódio que acabam combatendo fogo com fogo, ou seja, destilando o ódio contra quem destila ódio, retroalimentando um sistema vicioso que vai bem longe daquilo que elas almejam. Ou, pelo menos, do que eu almejo.

Meu objetivo de vida é ser solidário com o outro, ter empatia, para poder não julgar o que quer que seja. O que é um objetivo bem ousado para o filho de um juiz (estou falando de Xangô, é claro). Meu objetivo é compreender a dor do outro para que eu possa perdoá-lo de seus supostos erros, ou pelo menos para que eu não piore o seu sofrimento.

O motivo pelo qual eu eu estava fazendo exatamente o que abomino nos outros é simples: eu perdi a consciência de mim mesmo, esqueci de quem quero ser hipnotizado pela dor que eu preferi acreditar alguém fora de mim me infligia. Desconfio — só desconfio — que esse seja o mecanismo geral da perpetuação do ódio.

Para voltar ao trilho, portanto, eu só preciso não esquecer mais de quem eu quero ser. Em vez de reagir automaticamente preciso perguntar-me: “o que meu eu do futuro faria nessa situação?”, e então escolher (o antônimo de reação é a eleição).

Há, claro, ferramentas que ajudam a pessoa interessada em ser mais solidária e empática a ensaiar e a praticar este objetivo. De todas destaco a Comunicação Não Violenta, sobre a qual uma excelente apresentação pode ser lida aqui: Comunicação não-violenta: o que é e como praticar.

Vou falhar miseravelmente na tarefa de manter constância na prática da CNV. Vou fracassar muitas vezes em não repetir cegamente o comportamento que abomino. Vou esquecer que ainda não sou quem quero ser.

Mas isso não importa. O que importa é que o privilégio de ganhar um presente de Natal que agrega mais ao ser do que ao ter não pode ser negligenciado, e eu espero estar aproveitando-o da maneira correta.

Obrigado, Catita.

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2 comentários

  • Darlou • 24/12/2016

    Se tu acreditar no erro tu o tornas real para ti! Falou e disse, brother!

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  • Catita • 24/12/2016

    Aqui chorando, sorrindo e amando você.
    Janio, você é amoroso, companheiro, leal, justo, ético e empático. Você já é a melhor versão, então é só continuar. <3
    CNV é incrível e transformadora, mas é constância mesmo, exercício diário. Eu continuo tentando, todos os dias.
    Obrigada por estar aqui.

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