Como reverter uma lavagem cerebral


Uma das razões mais recorrentes para as pessoas me mandarem mensagens pelo formulário de contato do site é para pedir ajuda para reverter algum suposto processo de lavagem cerebral a que tenha sido submetido algum parente ou amigo, devido a textos que publiquei aqui há muito tempo atrás. Embora eu tenha feito uma mera tradução de material de autores estrangeiros, e tentado deixar isso claro no texto, as pessoas ainda insistem em interpretar os fatos como se eu fosse um especialista na área. Não sou.

Os pedidos de ajuda que me fazem variam um pouco na forma, mas o fundo é sempre o mesmo: uma pessoa próxima foi objeto de lavagem cerebral e parou de pensar por si mesma, e a pessoa que me contata quer ajuda desesperadamente para “resgatar” o ente querido.

Eu sempre respondo dizendo que não tenho como ajudar, e em 99% dos casos sou rotulado de insensível, egoísta, e outros adjetivos que eu tenho certeza de não merecer.

Visando facilitar minha vida nesses momentos, resolvi compilar aqui alguns pontos que eu diria a todas as pessoas interessadas em reverter uma lavagem cerebral.

Em primeiro lugar, há que se considerar que absolutamente todo mundo é responsável por tudo o que lhe acontece na vida; cada coisinha é resultado de escolhas anteriores, como num jogo de dominó em que a ação inicial de empurrar uma única peça implica a derrubada de todas as demais que estiverem nas proximidades umas das outras.

Assim, por mais que nosso pensamento de vítimas profissionais nos leve a pensar que uma lavagem cerebral — principalmente em igrejas e outras agremiações religiosas — é algo que fazem sem o consentimento da “vítima”, precisamos ter a noção de que Tu é Mais Tu, Saca (acesse o link, é outro texto sobre o mesmo assunto). No mínimo tem que haver uma certa predisposição a aceitar tudo aquilo que “plantam” na mente das pessoas. Talvez seja um caso um pouco diferente o das pessoas que sofrem essa reprogramação mental por meio de tortura, mas nunca ouvi falar de nenhuma igreja ameaçando cortar a córnea de um fiel com um estilete cego para ele aceitar a palavra do pastor como verdade absoluta.

Assim, ouso dizer que para reverter uma lavagem cerebral, em primeiro lugar a suposta vítima precisa querer desfazer o processo; e para querer desfazer esse processo ela precisa primeiro reconhecer que passou por ele.

Creio que mais fácil e mais importante do que reverter uma suposta lavagem cerebral aplicada em alguém seja aceitar que essa pessoa “mudou” porque quis, aceitou os disparates que lhe “impuseram” porque já tinha uma predisposição para tal, já tinha afinidades com as novas “verdades” que norteiam sua vida. Cada um é soberano senhor da própria vida, acredite nisso ou não. E aqui no Ocidente ainda temos a facilidade de vivermos num Estado tolerante e incentivador do respeito às diferenças — se não acredita experimente viver num país regido pelo Talibã.

Admitir que se a pessoa acabou pendendo para o lado de alguém que lhe fez uma “lavagem cerebral” porque encontrou nessa pessoa algo que não tinha em casa, em família, também é primordial. Na maioria das vezes os que querem reverter o processo respeitam menos a “vítima” do que os supostos violadores.

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Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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