Como escolher um tablet para comprar


Como sempre faço quando tenho vontade de escrever mas me falta inspiração, fui para uma rede social de microblogs (o Twitter, claro: estou só treinando para ser redator dos grandes veículos de comunicação) e perguntei sobre o que gostariam que eu escrevesse. O , então, sugeriu que eu resenhasse os tablets do mercado, o que me seria impossível porque só conheço o iPad, e uma vez na vida dei uma olhada em um Xoom numa vitrine. A despeito disso, resolvi opinar e sugerir alguns critérios de como escolher um tablet, para seu deleite.

Considerando minha parcialidade e ignorância no assunto, vale ressaltar: aprecie com moderação (ou seja, tenha critério e não me xingue nos comentários).

iOS, Android e os outros

Em minha limitada maneira de ver as coisas, existem atualmente três tipos de tablets no mercado: os Apple (iOS), os Android (incluindo o merderê chinês) e os outros, que eu nem saberia enumerar (como o finado aparelhinho da HP, movido a WebOS, ou os RIM — marca de que fui fã até conhecer o iPhone).

iOS (leia-se: iPad) — Disparado, a melhor opção

Em minha nada humilde e mui tendenciosa opinião, o iPad, movido a iOS, é a melhor opção de tablet atualmente. As atuais duas gerações (iPad ou iPad 2) contam com hardware poderoso, um excelente software básico (o próprio iOS), usabilidade ótima, e uma vasta oferta de softwares de terceiros, dos mais variados tipos, para todas as necessidades ou meros desejos dos usuários.

Além disso, a Apple tem uma característica objetiva que a faz sobressair sobre os demais fabricantes: embora novos modelos de seus dispositivos sejam lançados anualmente, as atualizações do sistema operacional continuarão funcionando nos modelos mais antigos, mesmo que, por razões óbvias, nem todos os novos recursos possam ser aproveitados (como softwares de câmera para iPad, que só funcionarão nos modelos mais novos que contam com uma câmera).

E nem falo do fato de hardware e software serem produzidos sob responsabilidade da mesma empresa (embora, claro, haja diversos níveis de terceirização, mas quem se pegar nisso para dizer que estou errado só pode ser troll).

Tablets Android de primeira linha

Do lado contrário ao da Apple, se existe um grande concorrente, em se tratando de sistema operacional para tablets (e outros dispositivos móveis) é o Android. Devido ao seu modelo de licenciamento, vários fabricantes puderam equipar seus aparelhos com ele.

Entretanto, uma coisa que não entra na minha cabeça é por que existem tantas versões simultâneas do Android, e por que aparelhos com uma versão não são simplesmente atualizáveis para a versão seguinte (pelo menos).

A despeito disso, se eu fosse comprar um tablet Android hoje eu escolheria um de primeira linha, de um fabricante conhecido (como o Samsung Galaxy Tab, ou o Motorola Xoom — apesar de eu desgostar da marca e saber que embora o hardware dele seja ótimo o software não faz jus ao que tem).

Uma das vantagens de se adquirir um tablet Android de primeira linha é que embora os fabricantes nem sempre atualizem seus dispositivos, grupos de desenvolvedores independentes (no melhor sentido da palavra: hackers) acabam produzindo ROMs alternativas que corrigem problemas dos originais, aperfeiçoam-nos, incluem novos recursos, ou simplesmente ferram com tudo.

Porém, para a maioria dos usuários esse não é um procedimento simples (envolve destravar o aparelho, obter acesso root, e o risco de danificar a máquina em vez de melhorá-la.

Mas, é claro, essa é apenas a impressão de alguém que nunca foi usuário de Android, apenas de iPad e iPhone.

Tablets Android de baixa qualidade e baixo preço

A abertura que o Android tem, como sistema operacional, permitiu também que fabricantes desconhecidos passassem a utilizá-lo em plataformas de baixo custo e baixa qualidade.

É comum encontrar em “clubes de desconto” ofertas de tablets androids de origem chinesa por menos de 300 Reais (uma pechincha se compararmos unicamente preços com os modelos de primeira linha, todos na faixa de 1.400 a 3.000 Reais).

Entretanto, estes aparelhos normalmente têm telas de baixa resolução (qualquer coisa com menos de 800×480 é baixa resolução neste mercado), funções limitadas, e péssima usabilidade quanto ao toque na tela. Não raro os anunciantes mentem descaradamente ao falar de suas características (como velocidade do processador, resolução da câmera, presença ou não de hardware de GPS, etc), e o potencial comprador não sabe sequer a diferença entre Android 2.2 e Android 2.3 (que eu saiba, mas posso estar enganado, é que a mais recente permite rodar aplicativos a partir do cartão de memória, enquanto que a mais antiga não, o que torna a memória interna muito mais necessária).

Não nego que por diversas vezes me vi tentado a desembolsar uns cobres para adquirir um desses, só para ver e aprender como funciona o Android (afinal, tenho diversos amigos e conhecidos que são fãs do sistema, e eles são qualquer coisa menos burros).

Entretanto, este é o tipo de economia que recai no velho conceito de “o barato sai caro”, pois não tem dinheiro que pague a frustração de comprar alguma coisa que vai ser ruim, ou que em vez de resolver um problema como queiramos acaba por criar uma sensação ruim de “não era isso que eu queria”.

Outros tablets

Tirando iOS e Android da jogada, ainda sobram uns poucos tablets no mercado, mas sua participação é tão pequena que não gasto tempo sequer pensando neles.

E a razão para isso é simples: não adianta nada ter um sistema operacional ótimo rodando em um hardware maravilhoso se não há programas para ele. E ninguém está disposto a desenvolver para uma plataforma que tem uma base de pouquíssimos usuários, se com o mesmo esforço e investimento é possível desenvolver para um número muito maior (no caso do Android e do iOS).

Suporte ao maldito Flash

Um dos principais argumentos dos que não gostam do iOS para afastar os indecisos dele é a ausência do suporte ao maldito Flash.

Honestamente, sou usuário do iOS há praticamente um ano, e nesse tempo todo jamais senti falta do suporte ao Flash no iPhone ou no iPad. Tudo que preciso acessar ver tem versão não-Flash disponível, e se não tem também não faz falta. Nunca, reitero, nunca precisei de Flash no iPad.

E não sou um mero usuário eventual: eu faço tudo no iPad, desde ler e escrever e-mails a ver filmes (AirVideo, ich liebe dich), acessar servidores por SSH, postar em blogs. Tudo mesmo.

Então, se a minha opinião dizendo que Flash não faz falta em um tablet é insuficiente para você parar de usar esse argumento, então só posso parafrasear o Evandro Mesquita:

— OK, você venceu! Batata frita!

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Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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