Carta aberta da segunda-feira a quem a odeia

Eu sou a segunda-feira. Isso mesmo, aquele dia da semana que quase todo mundo odeia. E por estar de saco cheio desse ódio infundado resolvi escrever uma carta a todo mundo que me demoniza, que me responsabiliza pelas suas tristezas e infelicidade.


Olá.

Eu sou a segunda-feira. Isso mesmo, aquele dia da semana que quase todo mundo odeia. E por estar de saco cheio desse ódio infundado resolvi escrever uma carta a todo mundo que me demoniza, que me responsabiliza pelas suas tristezas e infelicidade.

Em uma frase: o problema não sou eu, é você. Isso mesmo.

Tecnicamente falando, eu sou um dia exatamente igual aos outros: igual à amada idolatrada sexta-feira, ou ao comemorado sábado. Nós sete temos a mesma duração, ocorremos em sequências inalteráveis (antes de mim sempre tem o domingo, depois sempre tem a terça e vai ser assim para sempre).

Logo, não faz sentido alguém achar que eu sou diferente da quarta-feira, por exemplo. Ou do domingo.

Então, se nós dias somos todos iguais, o problema reside exatamente no fato de você, que me odeia, não ter maturidade suficiente para ter uma vida profissional (ou de estudante, o que é pior ainda: estudante que só tem que fazer estudar, odiar a segunda-feira). Você é tão infantil que não assimilou ainda que ser adulto implica compromissos diários, que a menos que você tenha muita grana não são compatíveis com férias de três meses. Ou com finais de semana permanentes.

Assim, seria bem mais bonito se em vez do seu surrado mantra “eu odeio segunda-feira” você passasse a dizer algo como:

  • Eu me odeio por não poder viver para sempre como criança, e me odeio ainda mais na segunda-feira quando não tenho mais a chance de fingir que não cresci.
  • Tenho tanto medo da responsabilidade que entro em pânico toda segunda-feira (ou às vezes no domingo mesmo), mas como não tenho coragem nem de admitir isso eu me enfado, e travisto meu pânico de responsabilidade em ódio ao início da semana.
  • Sou covarde demais para refazer minhas escolhas de vida possíveis, e imaturo demais para aceitar o que não tenho mais chance de mudar, e por isto prefiro botar a culpa de tudo na segunda-feira (que é o que eu faço em todos os campos da minha vida, a propósito: culpar os outros para não assumir responsabilidade por nada).

Seja como for, reitero que eu, a segunda-feira, não tenho culpa se você é incapaz de viver a vida plenamente todos os dias. Cresça e deixe de reclamar de barriga cheia.

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Carta aberta da segunda-feira a quem a odeia

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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