“Brincadeira” de mau gosto na Internet custa caro ao autor

21 de abril de 2009 • Por Janio Sarmento, em Destaques, Internet
Tem certeza que isso aí é uma mulher?

Tem certeza que isso aí é uma mulher?

Recentemente falei sobre o Omegle, e contei de um maucaratismo meu: tirar sarro dos gringos, num momento até me fazendo passar por uma gostosa liberada de 18 anos de idade. Mas se eu soubesse ontem o que sei hoje pensaria duas vezes antes de fazer esse tipo de brincadeira.

Em 2006 um sujeito chamado Jason Fortuny criou um perfil falso no Craigslist (se não sabe o que é veja aqui) com uma fotografia para lá de explícita de uma mina de costas com o fiofó arreganhado, dizendo ser uma gata liberada em busca de machos. É claro que choveram respostas, de homens de todas as idades, com todos os tipos de cara de bocó, muitos mostrando as vergonhas. E o meliante sem nem pensar muito expôs todas as respostas que recebeu, com as respectivas fotos, endereços de e-mail, MSN, telefone, e todo e qualquer detalhe que eu esteja esquecendo agora.

Ah, claro, como todo e qualquer patife que extrapola limites éticos na Internet, ele chamou isso de “experimento”, que consistia em descobrir quantas respostas obteria um anúncio de uma mulher submissa em busca de um dominador agressivo, no prazo de 24h.

Ele tirou o texto e a foto de um anúncio sexualmente explícito (no blog dele você pode ver o post original sobre o “experimento”; remova as crianças da sala) de uma outra área do Craigslist e os repostou no Craigslist Seattle, e esperou que as respostas viessem. Segundo ele, foram 178 respostas, com 145 fotos de homens em diversos estados de nudez, todos com endereços de e-mail, nomes de usuário de mensageiros instantâneos e até números de telefone.

A estupidez humana não tem limites

A estupidez humana não tem limites

Então ele publicou cada resposta, sem edição e sem censura, com todas as fotos e informações pessoais, no site Encyclopedia Dramatica. Veja as respostas (conteúdo sexual explícito, “esteje” avisado).

A essa prática dá-se o nome (em Inglês) de “sexbaiting”, e consiste basicamente em criar perfis (normalmente) falsos de (normalmente) mulheres para ludibriar e arrancar dinheiro de (normalmente) homens que caiam na armadilha. Como tudo na vida em sociedade, há quem defenda a prática, alegando que de alguma maneira os otários que caem nessa esparrela obtem aquilo que estão procurando, nem que seja apenas em suas fantasias.

De qualquer forma, acho que fora de qualquer questão está o fato de que não se brinca com a privacidade alheia, e muito menos se a viola. O que este sujeito fez foi horrível, e se algo desse jaez acontecesse comigo, eu aposto que abriria mão de milhares de anos de evolução espiritual e me vingaria do cara causando-lhe muita, muita dor.

Mas como os mais de cem afetados pela “brincadeira” do sujeito são mais racionais que eu, recorreram à corte americana, e acaba de sair o resultado da primeira sentença: entre custas, honorários advocatícios e indenização, o reu do processo foi condenado a pagar a quantia de US$ 74.252,56 (setenta e quatro mil, duzentos e cinquenta e dois Dólares Americanos e cinquenta e seis cents). Multiplique esse valor por 178, e você terá o preço em dinheiro que essa pataquada vai custar ao meliante: mais de treze milhões de Dólares.

Via: SEO Blackhat

Crédito das fotos: jeffc5000 e Laughing Squid, ambos via Flickr

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