“Barraco Sorocaba”: uma visão de Homem


Todo mundo já sabe (acredito) do novo hype que assola a Internet: o Barraco Sorocaba, um vídeo em que duas mulheres — até então supostamente amigas — aparecem conversando, e uma delas (a esposa) joga na cara da outra (a amante) que sabe e tem provas dos cinco anos de traição. Por fim, a esposa ofendida (aparentemente responsável pela “produção” do vídeo) acaba perdendo a cabeça e após uma sessão de agressão verbal acaba espancando a amante do marido, chegando ao ponto de pisoteá-la diante da câmera.

Vi muita gente no Twitter fazendo piadinhas a respeito do caso, vi gente sensata duvidando da veracidade do vídeo, e vi gente como eu que se sentiu muito mal ao ver a cena, ao presenciar o constrangimento das duas mulheres (embora a esposa traída estivesse mais agressiva, isso não significa que ela estivesse menos constrangida). Nos blogs, principalmente aqueles que publicam o que a massa quer ver, independente de qualquer valor ético, chegaram a botar a foto do marido traído (a suposta amante também seria casada), chamando-o de corno, bem como o vídeo que já tem umas dez versões pelo Youtube, e não duvido que já tenham feito “backup” dele em outros serviços de hospedagem de vídeo.

Sorocaba, SP

Passado o momento de estupefação ante o absurdo da situação, eu gostaria de fazer alguns comentários do ponto de vista de um homem, e não de um moleque deslumbrado que acha tudo engraçado e pensa que nada na vida vai ter consequências.

Em primeiro lugar, ninguém tem o direito de fazer julgamentos precipitados sobre outrem. Se a mulher que no vídeo aparece agredindo a outra tem seus motivos, é possível que o marido também tenha os seus para ter traído, e o mesmo com a amiga que foi agredida.

Entretanto, as coisas têm sempre pelo menos duas maneiras de serem feitas: a certa e a errada. Às vezes a maneira certa não tem tanta graça, ou dá menos satisfação instantânea. A esposa não deveria jamais ter agredido a outra (e ainda por cima documentado a agressão). Ela deveria ter procurado um advogado de família e — se não quer mesmo perdoar o marido traidor e ficar com ele — usado as evidências que tinha para dar entrada no processo de divórcio.

Se eu fosse a mulher que apanhou no vídeo eu estaria ouvindo o tilintar de máquinas registradoras agora mesmo como se fosse música: o primeiro processo que ela pode abrir contra a esposa do amante é por agressão, já que ela realmente ameaçou sua integridade física, e o Brasil (talvez o mundo) inteiro a viu pisoteando a rival. Depois, ainda contra ela eu daria um jeito de abrir um processo por divulgação não autorizada de uma conversa privativa. E contra todo mundo que publicou fotos dela e do marido com comentários nada amigáveis (houve quem os rotulasse de “corno” e “biscate”, inclusive citando seus locais de trabalho, o endereço de suas empresas, etc), contra quem divulgou o vídeo, contra quem deixou comentários ofensivos no Orkut (parece que os perfis de três dos quatro envolvidos já foram deletados, só resta o da esposa traída).

As pessoas têm que saber que existem coisas muito sérias, e meter-se com a vida alheia é uma das práticas mais condenáveis que se conhecem. A facilidade de veicular qualquer informação pela Internet nos dias de hoje pode dar uma falsa impressão de que tudo é bundalelê, mas no momento em que cabeças começarem a rolar é que poderemos realmente separar os homens dos meninos.

E nada disso seria necessário se as pessoas oferecessem um tiquinho de um valor que todas exigem muito: respeito.

E a notícia boa: nunca é tarde para começar.

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“Barraco Sorocaba”: uma visão de Homem

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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