Abaixo o Miguxismo nos blogs!


Eu naum sei ixcreve nas interwebs mais u burru eh vc k sabi.

Quem me conhece um pouquinho sabe do verdadeiro ojeriza que eu tenho dessa “nova” maneira de escrever que está invadindo a Internet, e ganhando cada vez mais espaço fora dela, que consiste em aleijar do R os infinitivos dos verbos, obliterar o S dos plurais, extirpar o I de palavras como “mangueira” e “algibeira”, abreviar de forma humilhante palavras inteiras a apenas uma ou duas letras, quando não trocando, inclusive, a única letra por outra (como por exemplo a palavra “que”, abreviada para simplesmente “k”).

Eu naum sei ixcreve nas interwebs mais u burru eh vc k sabi.

Ew naum sei ixcreve mais u burru eh vc k sabi

É claro que não para por aí. Virou um aspecto “cultural” escrever desse jeito, e concordo que realmente um jovem tem que honrar muito sua personalidade para abrir mão dessa maneira estúpida de expressão, haja vista as “tribos” terem a péssima mania, hoje em dia, de nivelar por baixo suas manifestações culturais. Escrever corretamente é ser considerado “careta”, ou seja lá qual for o pejorativo que usem hoje em dia para designar alguém antiquado e de comportamento indesejado.

Para piorar as coisas, há aquela velha corrente de linguistas que diz que a Língua é viva, que ela se adapta e transforma, que alguém versado na norma culta atual teria extrema dificuldade de ler um texto escrito há dois séculos. O que é relativo, pois muitos textos escritos há dois minutos — ao menos para mim, não que eu seja tão versado assim em Português — são completamente ininteligíveis, beirando o Giberish!

Mas relembremos Murphy, que dizia que se algo puder ser piorado, certamente vai ser. Lembro de uma vez, quando meu irmão era criança, que sua professora de Português marcou como erradas algumas questões de conjugação de verbos, quando na verdade ele havia respondido corretamente. Corrigi a prova novamente, e enviei para ela uma tabelinha com as regras de formação dos tempos verbais. Nem lembro no que ficou o caso, mas é fato que se ela, que nem era da geração miguxa viciada em tiopês, não estava preparada para ensinar Língua Portuguesa a uma turma de alunos, a probabilidade de as salas de aulas estarem minadas de docentes despreparados e — repetindo-me — viciados em dar má forma à palavra escrita é imensamente maior.

Contudo, sou da opinião que é uma questão de inteligência escrever bem. Dificilmente uma pessoa que não consegue escrever meia dúzia de palavras corretamente será do tipo capaz de ler um texto e interpretá-lo corretamente. E se for uma pessoa que se julgue inteligente, e ainda assim escrever feito um asno adestrado, maior a estupidez explícita do sujeito, proporcional à sua prepotência.

Agora, o que me tira totalmente da casinha é quando estas amebas datilógrafas vêm deixar seus dejetos no campo de comentário dos meus blogs. Não raro escrevem de forma agressiva, contra minha pessoa ou contra minha mãe, mas nem precisaria da agressão para ser uma puta falta de sacanagem, uma grande falta de respeito que me deixa com vontade de xingar muito no Twitter. Ora, se eu — assim como qualquer colaborador dos meus blogs — faço o maior esforço possível para escrever corretamente e entregar conteúdo a esses visitantes, por que raios eles se acham no direito de escrever nos meus comentários como quem evacua na mesa de centro da minha sala? Ah, eu não aceito, como já dizia Betina Botox.

Alguma coisa precisava ser feita para coibir os abusos, por um lado, e educar por outro. Cabe a cada um dos atingidos escolher se prefere tomar minha ação como admoestação ou como oportunidade de exercício da ortografia.

Minha primeira atitude foi criar um script para ser incluído no arquivo de comentários do tema em uso no WordPress (Combata o miguxismo no seu blog com JavaScript). Gostei da ideia, mas como tenho dezenas de blogs a manutenção disso seria um terror.

Então, resolvi escrever uma versão um pouco mais genérica do script, que fica hospedado em meu servidor de downloads, e que pode ser facilmente incluído em qualquer página com uma simples tag HTML. Poderia ter feito um plugin para o WordPress, mas teria de abrir mão da facilidade de atualizar num único local todos os sites que se beneficiam da ferramenta.

Se quiser usar do script nos seus blogs, esteja à vontade. Basta incluir a linha abaixo no template do seu blog, imediatamente antes da tag , ou num “widget” de texto, para não correr o risco de esquecer de replicar a mudança caso troque de tema.

A razão para incluir essa chamada o máximo possível no final da página é porque navegadores baseados no WebKit, pelo que pude perceber, não sabem muito bem lidar com o argumento “defer” (que instrui o navegador a só executar aquele script após o carregamento total da página). Não tomando esse cuidado o script será executado antes que o formulário de envio de comentários tenha sido criado, gerando erro e impedindo o funcionamento desejado.

O script está (no momento em que redijo este texto) em uso aqui mesmo. Assim, quem enviar algumas das miguxices mais comuns vai ser brindado com o funcionamento irritante do script.

Aliás, o script funciona assim:

  • o visitante digita seu comentário com está habituado a fazer;
  • ele clica no botão de envio como está acostumado;
  • o script então é acionado, e cada palavra no campo de comentários será comparada a uma lista interna do script — caso a palavra conste nessa lista o usuário é alertado para corrigir o erro e nada acontece;
  • quando o visitante enviar novamente o comentário, após a correção, o script será ativado novamente, e caso ainda haja alguma palavra errada o aviso se repete, reiniciando o ciclo.

Caso o caríssimo leitor não tenha percebido ainda, o script tende a ser tão irritante para o miguxo quanto maior for o seu nível de evacuação dátil. Se ele cometer muitos erros, será alertado muitas vezes, o que poderá ser um verdadeiro castigo ao dito cujo.

Antes que me perguntem se não tenho medo que os comentários rareiem: não, não tenho. Porque comentários que me interessam são os de pessoas que honram sua condição de racionais e seus polegares opositores (não que só os dito humanos os honrem, haja vista os gorilas). Dejetos mentais que só me causam desprazer eu dispenso.

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Abaixo o Miguxismo nos blogs!

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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