A Reputação do Blogueiro


Dia desses alguém me convidou a participar de um meme que implicava fazer uma análise de uma situação hipotética de um blogueiro escrever qualquer coisa em seu site por causa de dinheiro. Ou não. Achei a proposição tão complicada, pelo menos para aquele momento que recebi a mensagem de convite, que acabei esquecendo do assunto.

Mas memes são assim, espontâneos, caso contrário são tags. E vou agora falar de reputação do blogueiro de uma forma tão espontânea que infelizmente não tenho nem mais a menor idéia de quem foi que me “tagueou” por e-mail dias atrás, para poder fazer um link. Por favor, se estiver lendo isso agora, apresente-se e deixe um comentário. Não é trackback mas tambem não tem rel=nofollow.

Prolegômenos à parte, o que tenho para contar é uma historinha verdadeira, que por um triz não me deixa em uma situação extremamente constrangedora.

Precisei de DVDs virgens para gravar os backups de meus clientes da PortoFácil, e acabei indo parar numa livrariazinha perto da minha casa, que sempre tinha sido alvo de chacotas de minha parte. Primeiro porque os donos do lugar têm uma aparência bem alternativa (para não dizer estranha), e segundo que os letreiros que eles pintam ou rabiscam a giz numa lousa que fica na calçada são crivados de erros de Português, que vão desde trocar “is” e “es” numa palavra até falar de “estalação” de programas.

Cheguei lá, perguntei o preço, achei bom, escolhi o que queria, e na hora de pagar a balconista me perguntou em nome de quem seria a nota. “Janio Sarmento”, respondi prontamente. A mulher ficou me olhando com cara de riso. Não me sofri e perguntei “o que foi?”. Ela então soltou-se da formalidade, riu e disse “eu leio o teu blog todos os dias; achava que era um pseudônimo de alguém”.

Como diz um amigo viado, “fiquei bege”.

Conversei um pouco mais com a mulher, a respeito disso, e ela disse que tinha descoberto meu blog uma vez quando o filho a ajudava a pesquisar sobre sibutramina (um remédio para emagrecer), e que desde então visitava-me regularmente. Reclamou que não entende de muitas coisas técnicas que escrevo, mas disse que entendia que esse era um preço justo a pagar por poder ler as outras matérias.

Ora, eu não considero que o Blogue do Janio seja assim tão famoso. Nunca ninguém me pediu autógrafo (nem desconto nos DVDs a mulher não me deu), nunca ganhei ingressos para shows (mas já fui convidado para pré-estréia de filme no cinema), nem me chamaram para dar palestra em escola, clube ou empresa por causa do Blogue. Contudo, sou obrigado a concordar com meu amigo Marco quando ele diz que eu sou, sim, um blogueiro conhecido. Prova disso, além das estatísticas de acesso e de leitores dos feeds, é essa própria senhora, tão próxima, e que já há mais de um ano é leitora assídua do que eu escrevo.

Quando se começa um blog creio que o autor raramente tenha em mente a idéia de que será lido por gente que ele não faz a menor idéia de quem seja. Por isso mesmo, é necessário tomar o mesmo cuidado ao escrever num blog que se teria ao mandar um e-mail pessoal, pois sem querer a gente pode ofender pessoas que não merecem ser agredidas.

Apenas para finalizar, seria uma tremenda hipocrisia se eu publicasse esse texto chamando as pessoas de esquisitas e comentando jocosamente os erros de Português, depois do impacto de saber que a dona da papelaria era minha leitora. Acontece que papo vai, papo vem, ela disse que os textos de que ela mais gostava eram aqueles que eu carregava no humor negro e na crítica cruel. Isso me deu liberdade de comentar, inicialmente bem tímido, que já havia ensaiado várias vezes escrever sobre a sua “estalação de programas”. Ela não só meu autorizou a escrever, como disse que eu aproveitasse bem a oportunidade para fazer humor cruel. Mas não consigo ir além.

E conforme eu prometi pessoalmente, aqui vai: “beijão para senhora, Dona Ana Lúcia!”

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A Reputação do Blogueiro

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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