A Mendicância no Twitter e a Falta de Visão das Empresas


Com o aumento gradual dos compromissos e do volume de trabalho, é natural que o tempo vá escasseando, e cada vez mais raros vão ficando os posts nos blogs. O que antes era um ou dois posts por dia agora é um ou dois por semana, quando não menos. Em contrapartida, o Twitter, com sua inerente agilidade e sua característica síntese, acaba suprindo a vontade de se expressar por escrito, ao facultar que em menos de 140 caracteres uma ideia inteira possa ser expressada.

Naturalmente, o Twitter acabou angariando a simpatia das celebridades (tanto as autênticas quanto as pretensas ou forjadas) e as empresas acabaram descobrindo, não importa como nem quão legitimamente, que deveriam estar “lá” para parecerem descoladas, antenadas, conectadas, ou sei lá que adjetivo elas esperam ganhar só por andarem no Twitter.

A consequência natural, é claro, é que tentem fazer do Twitter um meio de espalhar… deixa eu pensar em um termo politicamente correto… de espalhar publicidade sem gastar nada ou quase nada. Não é a primeira vez que falo disso: no texto As Rifas no Twitter já destilei mau humor por conta das celebridades que ofereciam brindes aos seus seguidores ao atingir determinadas marcas. Lá já falei, e os comentários foram mais incisivos, na chatice das tais promoções no Twitter.

O modelo de promoção seguido pelas empresas (ou por suas assessorias de imprensa incompetentes) consiste em pedir ao seguidores para fazer RT (retweet) em uma besteira qualquer, para convencer outros a seguirem aquele perfil, pois num determinado momento alguma coisa será sorteada entre aqueles imbecis que se deixaram seduzir por um espelhinho, um apito ou um colar de miçangas.

Esse modelo é uma bosta, qualquer um com um pingo de inteligência percebe isso.

Primeiro, porque o perfil que sorteia coisas vai estar conquistando seguidores tão interessados em sua marca, ou em seus twits, quanto uma prostituta se interessa pelo seu cliente; acabou o incentivo (seja dinheiro, seja premiozinho, seja o que for), acabou o interesse, a fidelidade.

Segundo, que quem fica tentando ganhar premiozinhos no Twitter normalmente não tem dinheiro para consumir produtos ou serviços na Internet. Logo, não é público alvo para nenhuma empresa que, como toda empresa, vise o lucro. Em outras palavras, todo mundo que eu conheço que tem iPad, iPhone, iPod, tevê LCD, camiseta, espelhinho, colar de miçanga ou qualquer outra coisa, comprou o objeto desejado com seu próprio dinheiro, e não ficou esperando para ganhar bosta nenhuma no Twitter.

Terceiro, mas é a mesma coisa que já falei antes: as empresas acabam angariando a antipatia dos usuários mais inteligentes, em vez de conquistá-los, ao incentivar os cérebros de anêmona a ficarem retuitando mensagens de promoções.

Honestamente, eu gosto do Orkut. Tem uma porção de gente legal lá, amigos com quem interajo graças à ferramenta, e não pretendo perder a oportunidade de contato com essas pessoas. Tampouco me interessa ficar seguindo gente chata que em vez de dizer o que pensa (mesmo que seja uma opinião que eu despreze) fica retuitando promoções cujas chances matemáticas de ganhar tendem a zero.

De hoje em diante, portanto, a atitude é simples: apareceu na minha timeline retuitando promoção de espelhinho, “unfollow” sumário. Claro que há exceções que podem tudo (oi, , e , entre outros é com vocês), que não vou deixar de seguir por nada. Mas esses também não se deixam seduzir por besteiras, né?

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A Mendicância no Twitter e a Falta de Visão das Empresas

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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