A lenda do pequeno tamboreiro


Em tempos de festas de fim de ano é normal que as pessoas sejam expostas a uma overdose de Simone cantando “Então É Natal”. É tanta reclamação de gente desesperada pelo banimento daquele álbum da face da Terra que não compreendo como ainda tem gente que consegue botar essa… essa obra para rodar incessantemente.

Simone com uma

Sonho de natal

Acredito que em termos de negócios seja muito lucrativo para os artistas gravar este tipo de álbum (com músicas natalinas), haja vista a profusão destes, desde os tempos mais remotos. Felizmente nem tudo é tão chato quanto o disco da Simone, e há uma canção natalina que me emociona muito sempre que ouço, a ponto de, em dias com certas particularidades, me levar às lágrimas.

A música a que me refiro é The Little Drummer Boy, que eu traduzo livremente para “O Pequeno Tamboreiro” (entendedores entenderão). Em resumo, conta a história apócrifa de um menino que foi visitar o Menino Jesus em seu nascimento, mas diferente de todos que iam render homenagens a Ele, o garoto não dispunha de nada muito valioso para oferecer (lembrando que os três reis magos ofereceram ouro, incenso e mirra, se não me falha a memória — já faz mais de dois mil anos). A única coisa que o guri tinha a oferecer era o seu dom de tocar tambor, e com a concordância da mãe ele então tocou seu instrumento, fazendo com que o Menino Jesus sorrisse e demonstrasse contentamento com a demonstração do tamboreirinho.

Há muitas variações desta lenda, e uma de que mais gosto, porque me foi dada a conhecer por uma amiga muito querida, uma irmã apesar de termos nascidos de ventres diferentes, fala de um padre meio ignorante e umas laranjas.

Nossa Senhora, com o Menino Jesus em seus braços, resolveu descer à Terra e visitar um mosteiro. Orgulhosos, todos os padres fizeram uma grande fila, e cada um chegava diante da Virgem para prestar sua homenagem. Um declamou belos poemas, outro mostrou suas iluminuras para a Bíblia, um terceiro disse o nome de todos os santos. E assim por diante, monge após monge, homenageou Nossa Senhora e o Menino Jesus.

No último lugar da fila, havia um padre, o mais humilde do convento, que nunca havia aprendido os sábios textos da época. Seus pais eram pessoas simples, que trabalhavam num velho circo das redondezas, e tudo que lhe haviam ensinado era atirar bolas para cima e fazer alguns malabarismos.

Quando chegou sua vez, os outros padres quiseram encerrar as homenagens, porque o antigo malabarista não tinha nada de importante para dizer, e podia desmoralizar a imagem do convento. Entretanto, no fundo do seu coração, também ele sentia uma imensa necessidade de dar alguma coisa de si para Jesus e a Virgem.

Envergonhado, sentindo o olhar reprovador de seus irmãos, ele tirou algumas laranjas do bolso e começou a jogá-las para cima, fazendo malabarismos, que era a única coisa que sabia fazer.

Foi só neste instante que o Menino Jesus sorriu, e começou a bater palmas no colo de Nossa Senhora. E foi para ele que a Virgem estendeu os braços, deixando que segurasse um pouco o menino.

Abster-me-ei de fazer comentários sobre por que essa história me emociona, principalmente quando ouço a música.

Para quem não conhece, segue uma das melhores versões (em minha humilde opinião), com o bônus de contar com a letra (em Inglês, mas o essencial já contei antes — para o caso de quem não se vira muito bem com o idioma bretão).

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A lenda do pequeno tamboreiro

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

2 comentários

  • lufreitas:

    que você receba, hoje e sempre, os melhores presentes. Amigos e amigas que se tornam irmãos. beijo seu lindo!!!

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  • denise rangel:

    Muito bacana, Janio! O melhor presente, certamente é aquilo que podemos doar de nós mesmos. E, para você, uma amizade que nasceu da indicação de uma amiga em comum, uma Joaninha querida.

    Um ano muito produtivo, em todos os sentidos, para você e sua família, Janio!

    abraço, garoto

    Responder

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