A importância da propaganda negativa



Brendan Hines interpreta o
Loker em "Lie to Me".

Para quem não sabe, desde 2003 sou o feliz proprietário da melhor empresa de hospedagem de sites do mundo. Já vamos completar o oitavo ano de operações, e nesse tempo todo já passamos por muita coisa por que passa toda empresa: dificuldades financeiras, dúvidas sobre o futuro e mesmo o presente. E como toda empresa desde o primeiro dia vimos criando uma reputação, que só não é mais importante para a empresa do que os clientes.

Com o fito de construir uma reputação favorável as empresas investem muito dinheiro em estudos de mercado, adequação de marca e imagem, advogados para tentar transformar em criminosos aqueles que demonstrem descontentamento com a marca, e muitos outros recursos técnicos questionáveis ou não que visam ter muita propaganda positiva e nenhuma propaganda negativa.

Tudo é uma questão de valores. É claro que eu não fico feliz quando vejo pessoas falando mal de mim ou da minha empresa. Mas também eu não me sinto exatamente feliz e animado quando preciso fazer um tratamento de canal, por exemplo.

pessoas que não perdem uma única chance de falar mal de mim e da minha empresa: inventam mentiras, distorcem fatos, chamam-nos de “host fundo de quintal”. Não sei o que ganham ao tentar me prejudicar. Mas eu, ao contrário, sei o que eu ganho e vou tentar explicar. Para isso preciso contextualizar alguns valores meus.

Primeiro, eu sou uma homem muito transparente. Não tenho a honestidade absoluta do Loker, porque sou educado e sei que nem todo mundo tem estrutura para aguentar se lhes jogue na cara aquilo que talvez elas não possam ainda ver. Mas em se tratando de relacionamentos e negócios sou um sujeito leal, transparente, honesto e que não faço a ninguém o que não gostaria que fizessem comigo, e por isso tenho o direito legítimo de exigir o mesmo dos outros.

Além disso, uma outra característica minha é uma forte autoestima, embasada pelo autoconhecimento que me leva a “confiar no meu taco”, como se diz popularmente. Isso me leva a saber que se há oito anos, quando comecei a minha empresa de hospedagem de sites, eu tinha a intenção de prestar um serviço diferenciado, hoje eu tenho realmente diferenciais de qualidade para oferecer aos meus clientes. Quem chama a PortoFácil de “host fundo de quintal” normalmente usa o argumento de que não oferecemos telefone 24h para contato.

Essa questão do telefone merece até um parágrafo à parte.

Primeiro, eu detesto falar ao telefone (se o iPad enviasse SMS eu não teria iPhone), acho um abuso, uma invasão, que uma pessoa interrompa o trabalho da outra, corte filas e ganhe uma prioridade absurda só porque pegou o maldito aparelhinho e fez uso dele. Segundo, somos duas pessoas trabalhando na PortoFácil, sendo que a maior parte do trabalho quem faz sou eu. Não pretendo aumentar este time, porque eu gosto da maneira como trabalho. Eu faço da minha empresa o que — IMHO — todas as da área deveriam ser: só temos pessoas apaixonadas pelo que fazem, e que por isso mesmo são muito melhore capacitadas do que a média geral dos colegas de profissão.

Ademais, oferecemos servidores de alta qualidade, trabalhamos com tecnologias que ajudam a tirar o máximo rendimento de cada máquina, e o que normalmente só os beneficiados diretos ficam sabendo: nós fazemos adaptações específicas para cada cliente, quando vemos uma possibilidade de tornar a experiência dele e dos seus usuários melhor, muitas vezes baixando custo em vez de cobrar a mais por isto.

Com estas características, que são as primeiras de que me lembro, é claro que eu espero que quem conhece a PortoFácil fale bem. Mas já aconteceu de uns dois ou três casos de gente que não deu certo conosco, e eles saíram falando mal. Na hora bate um sentimento de “mas foi assim que ele percebeu meu esforço?”, e logo em seguida vem a gratidão por ter a pessoa agido de tal forma.

Acontece que eu trabalho para pessoas que tenham valores e ideais iguais aos meus. Não tenho o menor interesse em trabalhar para alguém que ache que o contato telefônico é mais importante do que a abertura de um chamado de suporte, por exemplo. Não quero trabalhar para gente que ouse pensar em desconfiar que eu seja desonesto ou que eu queira ficar com um centavo que não seja meu por direito. Muito menos ainda quero trabalhar para gente que expresse esse tipo de desconfiança, na forma de acusação ou insinuação. Não quero trabalhar para gente mentirosa, porque eu não sou, e quero ter respeitado o meu direito de não ter que servir a esse tipo de gente.

Quando alguém que não gostou do meu serviço reclama por um motivo justo, o faz para mim. Quando é por motivo injusto normalmente não me diz nada, ou mente qualquer coisa para mim, e sai falando mal mundo afora. Sempre é assim.

Quando algo desagrada a pessoa e ela vem falar comigo, se houver um jeito de agradá-la é certo que eu farei. Se não houver, a pessoa não sairá puta comigo porque ela saberá que eu terei feito o máximo para ajudar.

— Mas, Janio, se alguém fala mal de você no Twitter ou na web um monte de gente lê e já desiste de te contratar — disse-me um amigo.

E eu respondi que sei disso, e que fico muito feliz que quem já sabe que não vai gostar de trabalhar comigo que nem me procure, pois provavelmente eu também não gostaria de trabalhar com ela.

Não digo que esta minha visão se aplique a empresas gigantescas, mas pouco se me dá. Para a maneira como eu trabalho (que é a maneira que eu quero, caso contrário permaneceria trabalhando de empregado em qualquer uma das empresas grandes por onde passei) a propaganda negativa tem um papel tão importante quando o da positiva.

E ao trabalhar duro para que os clientes fiquem satisfeitos a ponto de fazer propaganda positiva gratuita, ao mesmo tempo contribuo para que só faça propaganda negativa aquele que na verdade estará me fazendo o favor de afastar de mim os seus iguais.

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Glossário
IMHO
In My Hardcore\nOpinion
Loker
#FotoLoker
Pessoas
Um dia se disseram meus amigos do peito.

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A importância da propaganda negativa

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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