A difícil, quiçá impossível, arte de opinar sem ofender


Imagem de um boxeador
Imagem de um boxeador

Vem cá para eu te dar uma opinião!

A Internet é um meio de comunicação incrivelmente democrático, permitindo que qualquer pessoa em praticamente qualquer lugar do mundo possa expressar sua opinião. Os mais versados em ferramentas de publicação criam blogs, os menos versados utilizam desde os comentários em blogs alheios até redes sociais como o FaceBook e o Twitter.

A meu turno, estou decidido a realizar a única resolução de ano novo que fiz: evitar confrontos e discussões infrutíferas, bem como tentar não agredir ninguém daqui por diante.

Mas olha que não é fácil.

Isso porque as pessoas costumam devolver ao seu semelhante aquilo que dele recebem — e quanto mais inconsciente ou automaticamente mais correta essa afirmativa.

Ora, eu mesmo sou uma pessoa e portanto também tenho a tendência de devolver aquilo que recebo!

As pessoas costumam devolver ao seu semelhante aquilo que dele recebem.

Acontece que quanto maior a facilidade de as pessoas expressarem suas opiniões, mais fácil de pessoas (mesmo as quase perfeitas como eu) se sentirem ofendidas com a tacanhice dos outros. E se seres beirando a iluminação como eu se irritam com certas manifestações, o que dizer do ser humano mediano ou abaixo da média, o paranoico com síndrome de vítima profissional que acha que tudo que acontece é em perseguição ou discriminação a ele?

Sempre vai ter um ofendidinho para falar merda

Hoje à tarde eu disse no Twitter e no Facebook que não preciso agredir ninguém para ser mais eu. Reafirmo essa verdade aqui e agora.

Entretanto, sempre vai ter alguém que vai se sentir ofendido com o que outra pessoa tiver a dizer, e por sentirem-se atacados os ofendidinhos da vez não hesitarão em disparar ataques contra o suposto “agressor”.

Alguns exemplos:

  • diga que acredita na bíblia, e os ateus fanáticos se sentirão no direito de lhe menosprezar, não raro tentando impingir algum rótulo que eles considerem humilhante;
  • diga que acredita em Deus mas não na bíblia ou nas religiões que vai ter um fundamentalista para dizer que você é satanista, que tem pacto com o coisa ruim;
  • diga que não suporta ler quem escreve sem usar pontuação, deturpando a ortografia, para haver desde ofendidinhos que fugiram da escola mas se acham vítimas da sociedade até universitários analfabetos que acham que escrever como se estivesse batendo com os testículos no teclado fosse torná-los melhores do que quem escreve direito;
  • diga que é a favor da igualdade de direitos para todos os cidadãos, independente de orientação sexual, e os ofendidinhos vão surgir para defender valores que só cultivam na hora de usá-los como pretexto para embasar suas teorias fascistas;
  • diga que é a favor de uma conduta mais contida em termos de manifestações públicas de afeto e erotismo para ser marcado como retrógrado, preconceituoso e inimigo das minorias.

É impossível agradar todo mundo

Já faz muito tempo que aprendi que tentar agradar todos o tempo todo é a receita mais rápida e efetiva para enlouquecer.

Logo, quando decidi não entrar em confrontos inúteis foi apenas para poupar energia. É preferível admitir estar comendo a vaca, mesmo sem ser adepto da zoofilia, do que tentar explicar que focinho de porco não é tomada, e que servem para coisas diferentes.

Não sei quanto tempo vou conseguir manter a promessa. Na verdade, espero que só hoje eu consiga mantê-la, e com um pouco de sorte amanhã. Vai me fazer bem, tenho certeza, não alimentar os trolls.

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A difícil, quiçá impossível, arte de opinar sem ofender

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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