#365Posts – Telenovela como ferramenta de educação #SQN

Respeito muito a opinião do Delegado Waldir (seja lá quem ele for). Mas também respeito a opinião de estupradores, assassinos, bem como a das baratas, das víboras e dos escorpiões.


Boa noite... Tem uma novela em rede nacional, seu nome é Amor À Vida, mas muita coisa estranha acontece no ar em horário nobre, filho roubando pai, marido traindo sua esposa e vice verso, amante de sobrinha matando e está enterrando tia, tio tentando matar sobrinha recém nascida, ensinamentos de como traficar droga, esposa dosando medicamentos para cegar marido, como vingança e obter vantagem financeira... alguém pode me dizer... como manter as famílias estruturadas com esses ensinamentos??? Ou alguém pode me explicar que amor à vida é esse???

Não sei quem é o “Delegado Waldir”, não faço questão de saber, mas vou usar das palavras dele para tecer alguns comentários acerca da hipocrisia reinante na sociedade atual.

Boa noite... Tem uma novela em rede nacional, seu nome é Amor À Vida, mas muita coisa estranha acontece no ar em horário nobre, filho roubando pai, marido traindo sua esposa e vice verso, amante de sobrinha matando e está enterrando tia, tio tentando matar sobrinha recém nascida, ensinamentos de como traficar droga, esposa dosando medicamentos para cegar marido, como vingança e obter vantagem financeira... alguém pode me dizer... como manter as famílias estruturadas com esses ensinamentos??? Ou alguém pode me explicar que amor à vida é esse???

Em primeiro lugar, caro Delegado, não é papel da televisão ou das telenovelas educar ou estruturar famílias. O papel social deste tipo de empreendimento varia de acordo com os envolvidos.

  • Para o público, a função da novela é prover entretenimento.
  • Para os profissionais envolvidos (autores, atores, técnicos, maquiadores, e todo mundo mais) é propiciar reconhecimento e sustento.
  • Para a emissora, o papel da novela é manter ou elevar a sua relevância com relação aos patrocinadores, o que significa lucro.
  • Para os patrocinadores, o papel da novela é gerar lucro.

Quanto ao papel de educar, este é exclusivo dos pais. Sem exceção.

Não é da escola, cujo objetivo é instruir. Não é da igreja, cujo objetivo é (deveria ser) acolher os aflitos e prepará-los para encontrar na fé a força e a motivação necessárias para enfrentar as dificuldades que a condição humana implica.

Mas como a hipocrisia do momento diz respeito a demonizar a novela como se ela tivesse o papel de educar, deter-me-ei à função dela como fonte de entretenimento para as massas.

Independente do meu julgamento acerca dos valores que a novela reflete, estes são os valores que a população já tem arraigados, que são expostos não com o objetivo de (pausa para uma gargalhada) “educar” ou “estruturar famílias”, mas sim de gerar identificação na massa consumidora, que vai comprar os produtos anunciados.

Se é para falar de educação, este papel é exclusivo dos pais, repito. São os pais que têm que impor limites, que têm que controlar a programação a que os filhos assistem, que têm que trocar de canal ou desligar o televisor para que outras atividades mais adequadas sejam feitas em família.

Não é à toa que a Globo tem a maior audiência do Brasil. Ela é a primeira porque é especialista em identificar o que o povo quer, e oferecer isso ao povo. Se alguns amigos e eu não vemos Zorra Total, o resto do país se identifica com aquele tipo de humor. É a mesma parcela popular que se identifica com as maldades da novela, com os vícios de linguagem, com as piadas de gosto duvidoso.

Enfim… Acho que quem não concorda com o que a novela mostra tem que trabalhar para mudar o povo, para que a identificação com a podridão e a bandalheira deixe de existir. Fora isso, é o mesmo que querer matar o carteiro porque este é portador de más notícias. Qualquer discurso que ataque o funk, a novela, a Globo, ou qualquer que seja o veículo de projeção da realidade que se identifica com a mensagem da vez, é pura hipocrisia.

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Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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