#365Posts – Resenha Mão na Massa: Axe, o CMS Estático do Augusto Campos

O Axe é um gerenciador de conteúdo que, diferente do WordPress e de outros sistemas baseados em bancos de dados, gera o conteúdo todo do site de uma vez só, em HTML estático, extremamente rápido e leve de servir aos visitantes.


Dois softwares têm me deixado muito ansioso por estes dias: a nova versão do OS X, o Mavericks, e o Axe CMS, gerenciador de conteúdo estático sobre o qual falei anteriormente num momento Mãe Dinah.

Pois eis que hoje o Augusto finalmente conseguiu a façanha de liberar uma versão Alfa do Axe para os mais corajosos (ou ansiosos) testarem, e eu — naturalmente — não deixei por menos: baixei o sistema, configurei e criei em cinco minutos um blog num domínio que tinha encostado.

PenobscotBayKindlingAxe-104755Em uma palavra eu descreveria o Axe como impressionante.

Como o Augusto sempre deixou bem claro, o sistema nasceu para suprir as necessidades dele, e não para concorrer com qualquer outro sistema existente no mercado.

Isto implica que o Axe não é para qualquer um utilizar, porque sua operação se dá toda pela linha de comando — como acontece com outros sistemas de gerenciamento de conteúdo estático. É necessário ter o mínimo de conhecimento de shell Unix para poder utilizar o sistema. Entretanto, os comandos são simples, intuitivos, e uma vez que você execute os dois primeiros passos (criar manualmente um arquivo texto no local correto, com a formatação adequada e executar axe -v nome-do-arquivo.txt), o próprio sistema vai dando as possibilidades seguintes. Fica muito fácil de aprender o fluxo de trabalho, e de decorar os comandos.

Por ser todo em linha de comando também não há recursos “avançados” como gerenciadores de mídia, redimensionamento de imagens, etc. Isso é tudo por conta do administrador do blog.

Também por ser um alfa, algumas coisas são um pouco obscuras, como a necessidade de que o ícone do post tenha as dimensões exatas de 240x180px.

A instalação do Axe

Instalar o Axe, para quem já está minimamente habituado à linha de comando, é a coisa mais simples do mundo.

Pronto, é só isso. Ou quase. Se você souber como fazer, pode adicionar um alias para tornar mais fácil o acesso ao comando axe. Eu fiz o meu editando o arquivo .bashrc e adicionando uma linha como essa:

Depois é só seguir as instruções constantes na documentação do sistema (com relação à correta configuração do blog), e em minutos você estará apto a criar seu primeiro site estático.

O tema padrão

O Axe já vem com um tema padrão, o Panzer. Est é bastante simples (e já foi utilizado no meu blog de teste: www.farinhadelinhaca.net).

Simples, mas não é chinelão: a tipografia é bonita, o CSS é “responsivo” (adapta-se automaticamente a qualquer largura de tela, sem gambiarras), e tem todo o essencial para a publicação de um blog extremamente leve.

Atualização: o tema que deve estar aparecendo lá no meu blog de teste não deve mais ser o Panzer, e sim o Poser, que estou desenvolvendo.

Do que um usuário de WordPress sentirá falta

Como sou usuário de WordPress posso dizer com toda certeza: uma vez vencida a possível dificuldade inicial de trabalhar com a linha de comando e arquivos de texto em vez de uma linda tela de edição visual, possivelmente as duas únicas coisas que farão o possível migrante se sentir um pouco órfão é a total ausência de comentários nativos no blog (o que é absolutamente contornável com sistemas de comentários externos, e um preço baixíssimo a se pagar pelos benefícios do Axe — eu mesmo quase nunca mais deixo os comentários abertos em meus blogs, de toda maneira) e a ausência de categorias, que no Axe são mimetizadas totalmente pelas tags.

Atualização: não consegui encontrar também como se fazem páginas fixas, fora da linha de tempo dos posts do blog. Não que não seja possível obter o mesmo efeito com os recursos que o sistema já apresenta, claro.

Por que eu sou tão entusiasmado com o Axe

Em se tratando de sites na Internet, eu sou obcecado com velocidade e aproveitamento do investimento feito em servidor de hospedagem. Aliás, eu vendo hospedagem de sites, esse é meu meio de vida, mas sempre fui da opinião de que um negócio só é bom quando todo mundo fica satisfeito, e meu cliente — assim como eu na condição de cliente — só ficará satisfeito se puder obter o máximo do investimento mínimo.

O Axe faculta justamente esse tipo de economia e maximização do potencial dos servidores. Como ele gera conteúdo estático, é muito fácil de replicar um site inteiro em múltiplos serviços de hospedagem, sem depender sequer de banco de dados instalado em cada servidor.

Além do mais, já disse e não canso de repetir que o Augusto é um dos dinossauros mais respeitados da Internet, tanto por sua competência quanto por sua seriedade. E mais do que isso, pela sua vivência à frente de vários blogs bastante importantes, que lhe dão a exata noção do que é importante em um CMS.

Como eu pretendo ajudar no desenvolvimento do Axe

Tenho duas coisas que pretendo fazer imediatamente pelo Axe:

  1. escrever um plugin para interpretação de Markdown em vez de apenas HTML nos arquivos de entrada de dados; e
  2. escrever um tema baseado no Twitter Bootstrap com suporte nativo a comentários do Google+, responsivo e com as belezinhas visuais que o framework proporciona (e sim, eu acho que os sites feitos em Twitter Bootstrap são bonitos; quem discorda que vá fazer melhor).

O plugin talvez demore um pouco mais, porque apesar de o Augusto estar prestes a liberar a documentação da API (que já está pronta e funcional) eu vou ter que vencer a preguiça de programar para começar a fazer algo.

Já o tema novo deve sair logo, pois é tarefa bem mais simples: o complicado vai ser inserir anúncios Adsense de modo a não estragar o leiaute e nem perder a razão de se utilizar um CSS responsivo.

E, quem sabe, até um serviço de hospedagem específico para o uso com o Axe, com otimização até o talo. Você gostaria?

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Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

5 comentários

  • Tércio Martins:

    Janio, você conhece a linguagem de marcação Creole?

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    • Janio Sarmento:

      Conhecer não conheço, mas acho que já li algo a respeito. Não é uma que é muito parecida com o Markdown?

      Responder
  • oigreslima:

    Opa Janio,

    Eu tirei meu velho Nokia N800 da gaveta pra brincar com o apache e aprender um pouco. Acho que esse sistema é ótimo mesmo pra ele. Pois eu o acesso remotamente via ssh. Então o axe é a ferramenta perfeita!

    Responder

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