#365Posts – Prepare-se para ouvir falar do Ghost.org


O assunto não é exatamente novo, mas como só agora experimentei para valer o Ghost.org — gerenciador de blogs inovador que visa restaurar a simplicidade deste tipo de plataforma de conteúdo — estou podendo dedicar-me a fazer uma avaliação dele. Não vou entrar em detalhes históricos sobre o sistema, isso tem aos montes por aí e o Google é seu amigo. Vale a pena dizer, entretanto, que o projeto nasceu para ser uma espécie de “volta às raízes do WordPress”, mas acabou ganhando características específicas que o tornam único.

O “problema” do WordPress

O WP é a plataforma de blogs mais utilizada atualmente, segundo eu sei. Muito mais do que blog, criou-se todo um ambiente de desenvolvimento e publicação de conteúdo ao redor dele, e o “ecossistema” de templates e plugins, mais toda a infinita possibilidade que a plataforma oferece, o tornam a escolha natural de muitos profissionais de Internet (eu incluído).

Para muita gente este crescimento do WordPress é uma desvantagem, pois acrescenta complexidade ao sistema, tanto em termos de código escrito (e que, óbvio, precisa ser executado) quanto em termos de dificuldade para o operador, que só deseja, dizem, escrever seus posts.

Chega o Ghost.org

Ghost.org chegou há alguns meses para mudar novamente o cenário das plataformas de blog atuais. Sua simplicidade absurda, e algumas inovações técnicas (em relação ao WordPress) o fazem único, porém se ele realmente vai ser o substituto à altura para o mais popular de todos, só o tempo dirá.

Node.js

Ghost é todo escrito em Node.JS e SQLite (com opção de MySQL, e no futuro haverá suporte a outros bancos de dados, como MongoDB), em contrapartida ao velho e conhecido PHP.

Isso significa que uma legião de programadores proficiente em WP vai ter que investir esforço na atualização de seus conhecimentos, principalmente porque o Node.JS tem uma abordagem totalmente diferente do PHP (Node.JS é baseado em sockets e eventos, criando uma escalabilidade inimaginável para os dinossauros do PHP).

Por outro lado, as empresas de hospedagem mais populares não estão preparadas ainda para oferecer hospedagem com Node.JS, demandando suporte especializado ou conhecimento técnico do cliente que terá de configurar seu próprio servidor para o funcionamento da linguagem.

Markdown

Outra mudança bastante impactante é a utilização do Markdown para formatação de textos, no lugar do HTML “cru”, ou dos editores visuais que fazem a alegria dos usuários menos técnicos.

Desenvolvimento ainda em Beta

Ghost deverá se tornar mais popular como plataforma de blogs quando seu desenvolvimento estiver mais adiantado. No presente momento (versão 0.4.2) algumas dificuldades ainda se mostram muito importantes para o usuário médio que só quer logar-se no sistema e escrever:

  • Não há um sistema de plugins funcional (mas deve sair na próxima versão);
  • Tarefas simples no WP, como posts relacionados e sitemaps são impossíveis de se obter com Ghost, a não ser usando hacks avançados em Shell Script;
  • Não há um sistema de comentários nativos, e implementar comentários de fornecedores externos (como Disqus, Facebook ou Google+) também não é tarefa trivial;
  • As funcionalidades disponíveis aos desenvolvedores de temas também não são ainda comparáveis ao que já existe há anos no WordPress;
  • Atualizar o Ghost em um blog hospedado pelo próprio autor ainda é um parto de porco espinho (você pode ter um blog no Ghost.io caso deseje não ter de se preocupar com este problema);
  • Ter mais de um blog na mesma máquina requer conhecimentos avançados de servidores;
  • Ainda não há salvamento automático de posts em edição;
  • Não é possível ter blogs com múltiplos autores (ainda);
  • Não há suporte para tradução ainda, e várias partes do blog conterão termos em Inglês, porque o template não consegue sobrescrevê-las.

A simplicidade que encanta

A despeito de todas as dificuldades e limitações acima (que são apenas as principais), Ghost tem um apelo que já está seduzindo aqueles capazes de administrar seus próprios servidores: a simplicidade.

Como a plataforma em si é desenvolvida tendo a simplicidade como foco, os blogs também acabam herdando esta virtude. Não são poucos os temas existentes para o Ghost (claro, também para o WordPress) que mimetizam a cada vez mais popular Medium.com, que tem os “blogs” todos iguais, mas com tipografia absolutamente fácil de ler, para que o foco esteja no texto e não nas firulas.

O editor de textos

Aliás, antes de falar nos templates disponíveis para os blogs em Ghost eu deveria falar do editor de posts e páginas: um painel de cada lado da tela; à esquerda a pessoa escreve em Markdown (ou em HTML caso prefira ou precise, ou misturando os dois), e à direita aparece a visualização prévia do post, praticamente igual ao que vai estar publicado.

Em minha opinião, isto é melhor do que o editor do WordPress, pois é muito mais rápido formatar um texto sem nunca abandonar o teclado do que usando o editor visual.

A imagem acima mostra um post meu, em outro blog, sendo editado no Ghost. É muito amor, gente.

Os templates existentes

Voltando a falar dos templates já existente para o Ghost, só posso dizer que são (quase) todos lindos. Alguns são mais lindos que os outros, claro. Muita coisa é gratuita, e o que é pago (Premium) costuma ser muito mais barato do que estamos acostumados a pagar por temas para o WordPress.

Por exemplo: o tema que no momento da publicação deste post está em uso neste blog custou USD 45, enquanto que o mesmo tema para o Ghost custou apenas USD 18.

Emulando o Ghost no WordPress

Se você quiser experimentar um arremedo da experiência do Ghost em seu blog WordPress, existem plugins que tentam fazer isto. O meu favorito é o Gust.

Faltam algumas funções ao plugin, como suporte a imagens de destaque (featured images), remoção de tags adicionadas a um post, e suporte a editar corretamente posts criados antes do próprio Gust.

Mas o essencial está aí, e quem sabe no futuro ele não venha a substituir completamente o painel do WordPress para quem deseja simplesmente sentar diante de uma página em branco e escrever, sem preocupar-se com mais nada.

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Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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