#365Posts – Intolerância contra os intolerantes


Quem me conhece minimamente sabe que eu sou muito preconceituoso e intolerante, embora meus preconceitos não necessariamente sejam os da maioria das pessoas. Por exemplo, tenho preconceito contra:

  • torcedores de futebol;
  • crentes fundamentalistas;
  • pessoas que escolhem ignorar a norma culta (ignorantes por vontade própria).

Sei que tem muita gente que não só compartilha destes três exemplos de intolerância como até os acha, de certa forma, bonitos. Contudo, preconceito sempre é uma merda, porque é limitador, porque cria separação e alimenta o ódio, porque priva o preconceituoso de, caso transcenda o asco, talvez ter experiências enriquecedoras com pessoas que percebem o mundo de maneira diferente.

Eu sei disso porque eu automaticamente bloqueio (não só no Feice, mas na vida em geral) gente que de alguma maneira ostenta futebol, religião ou desrespeito à norma culta (seja mantendo conversações, seja usando camisetas ou qualquer outra coisa de times ou igrejas, seja como for).

Algumas vezes eu consegui ultrapassar a barreira do preconceito. Em poucas eu vi o quanto estava errado, em muitas o quão errado foi não respeitar o preconceito (normalmente os fanáticos são bitolados demais, muito mais bitolados do que eu).

Preconceito para coibir preconceito

Já não é nem novidade, mais, que os preconceituosos nem estão se escondendo para destilar sua ignorância. Crimes raciais acontecendo em estádios de futebol (<ironia>que surpresa!</ironia>), por exemplo, já viraram mais do mesmo, e gente nas redes sociais vomitando racismo, xenofobia ou qualquer outro tipo de preconceito também já não admira mais ninguém, infelizmente.

O que tem me assustado, contudo, é que a cada dia mais as pessoas vêm usando formas diversas de preconceito e ignorância para combater atitudes preconceituosas.

O exemplo mais comum é o de meninas loiras e de cabelos lisos que se acham superiores, e às suas manifestações de racismo surgem contra-ataques do tipo:

  • “Tomara que se case com um negão bem tora, para te arrebentar por dentro.”
  • “Cabelo de macarrão sem molho.”
  • “Loira burra.”

Destes três exemplos, o primeiro explicita o desejo por violência, por fazer a outra pessoa sofrer fisicamente para “aprender” a não ser racista. É machismo.

Mas ainda tem coisa pior: tem gente que descobre onde os pretensos racistas moram, e apedrejam a casa das pessoas, armam emboscadas, cometem todo tipo de covardia, arvoradas na premissa de que se alguém comete o crime de ser burro merece o linchamento.

Última vez

Esta é a última que escrevo sobre meus preconceitos, a última vez que eu os externo.

Afinal, não tenho nada contra torcedores de futebol, contanto que só saiam de suas celas algemados e com suas bolas de ferro acorrentadas ao tornozelo.

Da mesma forma, não tenho nada contra gente com formação superior que não sabe a diferença entre “mais” e “mas”. Tenho até amigos que são assim, e eu saio com eles até para almoçar — logo não tenho medo de ser visto com gente assim.

Só mesmo com os fiscais de toba alheio, com os puritanos de plantão, com os guardiães “da família” alheia. Com esses, nem fazendo piada consigo ser tolerante.

Intolerância no trânsito

A menos que você seja fluente em Russo, pode assistir ao vídeo abaixo sem som. É um exemplo perfeito do que o trânsito das grandes cidades se tornou, em que carros são usados como armas muito mais do que meio de transporte.

(As imagens são fortes, fica o aviso.)

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#365Posts – Intolerância contra os intolerantes

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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