#365Posts – “First Time…”


Fui ao cinema ver X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, e uma canção (recorrente no filme) ficou marcada em minha memória por dois motivos: primeiro por ser absolutamente linda, e segundo por ser algo antigo, de uma cantora famosa, e que eu não tinha o menor registro de conhecer.

A música é First Time Ever I Saw Your Face, interpretada pela maravilhosa Roberta Flack. Parece que embora Roberta tenha feito sua versão da música em 1969, foi só em 1972 que ela ganhou o mundo com sua interpretação emocional e perfeita.

A música original é de 1957, de autoria de um artista chamado Ewan MacColl. Com todo respeito ao MacColl, gostaria de dizer que a sorte de sua criação foi ter ganho um novo arranjo na voz da Roberta Flack: a versão original é “ligeirinha” demais, tão “alegrinha” que parece qualquer coisa menos a interpretação de uma pessoa apaixonada fazendo uma declaração a outra.

Depois desta versão da Roberta Flack outros covers vieram, mas em minha opinião (de quem pesquisou muito para poder falar) nenhuma chega aos pés da versão abaixo (que espero o YouTube mantenha disponível por muitos e muitos anos). Algumas versões, como a da Nanna Moskouri, chegam a adulterar versos da letra: “the first time ever I kissed your mouth” (a primeira vez que beijei tua boca) virou “the first time ever I kissed your lips” (a primeira vez que beijei teus lábios).

First Time Ever I Saw Your Face

Letra: Ewan MacColl

The first time ever I saw your face
I thought the sun rose in your eyes
And the moon and the stars were the gifts you gave
To the dark and the empty skies

The first time ever I kissed your mouth
I felt the earth move in my hand
Like the trembling heart of a captive bird
That was there at my command my love

The first time ever I lay with you
And felt your heart so close to mine
And I knew our joy it would fill the earth
And last ’til the end of time my love

The first time ever I saw your face
Your face, your face, your face

A Primeira Vez que Vi Teu Rosto

Tradução Livre

Na primeira vez que eu vi teu rosto
Pensei que o sol nascera em teus olhos
E a lua e as estrelas eram dádivas tuas
Às trevas e ao vazio do céu

Na primeira vez que beijei tua boca
Senti a terra se mover em minha mão
Como o coração trêmulo de um pássaro preso
Que estivesse sob minhas ordens, meu amor

Na primeira vez que deitei com você
E senti teu coração tão próximo ao meu
E soube que nosso júbilo, ele encheria a terra
E duraria até o fim dos tempos, meu amor

Na primeira vez que eu vi teu rosto
Teu tosto, teu rosto, teu rosto

História e Curiosidades

Acredito, não tenho elementos para afirmar com certeza absoluta, que a versão de 1972 foi a que mais fez sucesso porque é infinitamente mais bonita que a de 1969, do disco First Take. Mas houve muitas gravações por diversos músicos de prestígio da época (como Kingston Trio, Elvis Presley e Peter, Paul & Mary), todas odiadas pelo MacColl.

Ewan MacColl escreveu esta música para ser cantada por Peggy Seeger, que mais tarde se tornaria a mulher dele. De fato, reza a lenda que eles dois já tinham um affair enquanto ele era casados com outra pessoa.

Há, contudo, um véu de incerteza sobre a origem da canção:

  • MacColl dizia tê-la escrito para Peggy depois que ela pedira a ele para compor algo para uma peça em que ela estava; ele teria escrito a canção e ensinado a ela por telefone.
  • Já Peggy Seeger dizia que MacColl costumava enviar a ela fitas para ouvir enquanto estivessem separados, e que a canção estava numa delas.

Como eu disse antes, a canção se popularizou na interpretação de Roberta Flack em 1972, no que foi uma espécie de desabrochar para a cantora. Sua interpretação era muito mais lenta que a original: uma execução da música por Peggy Seeger ocupava dois minutos e meio, enquanto que a versão de Roberta tomava mais do que o dobro disto.

Eu não sei quanto a você que me lê, mas quanto a mim, esta música na interpretação de Roberta Flack pode me fazer chorar de emoção facilmente.

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Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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