#365Posts – O Concorde

O Concorde, embora tenha sido um fracasso comercial, foi uma aeronave revolucionária, tanto pela tecnologia embarcada, avançadíssima para sua época, quanto pelo seu gigantismo em termos de tamanho ou de velocidade: o Concorde era um jato supersônico de passageiros, e percorria distâncias transcontinentais na metade do tempo que seus principais concorrentes.


Pouca gente sabe, mas dentre as bobagens que o ser humano inventa eu gosto de aviões. É claro que eu sei sobre todo o conceito da aerodinâmica, que um avião se sustenta sobre a massa do próprio ar, e tudo o mais. Entretanto, meu menino interior olha para essas construções gigantes de aço e derivados de petróleo (e de silício) e pensa que só pode ser algum tipo de magia uma coisa daquelas levantar voo e viajar grandes distâncias em períodos muito breves.

Assim, sempre que posso dou um jeito de enfiar-me num avião e deixar fluir meu abestalhamento pueril, imaginando gigantes invisíveis ou raios mágicos superpotentes que sustentam em voo aquele aparelho em que estou me empanturrando de serviço de bordo.

Na condição de apreciador de viagens aéreas tem um que eu não vou poder realizar, a menos que fique rico e passe a dominar a técnica da viagem no tempo: voar num Concorde.

Tenho uma admiração tamanha por essa máquina que resolvi compilar uma lista de umas poucas curiosidades a respeito deste supersônico — somente as que me impressionam mais. Para entrar no clima, faça clique no “play” aqui embaixo, e deixe a trilha rolando enquanto lê o resto do post (se o vídeo não funcionar aqui na página, acesse diretamente no YouTube, deixe rolando numa outra aba e volte para ler aqui).

concorde frank pourcel

Curiosidades sobre o Concorde

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A pronúncia original do nome do supersônico deveria ser de acordo com a pronúncia francesa (com o R mais gutural, ou como falam naturalmente os cariocas). Concorde significa harmonia, concordância, ou paz.

O Concorde foi fabricado num consórcio gigantesco entre a Grã-Bretanha e a França. Originalmente era para manter a grafia e a pronúncia francesas, mas no Reino Unido logo teve seu nome adaptado para a grafia do Inglês. Mais tarde, o Ministro da Tecnologia do governo Britânico voltou o nome do avião para o original afrancesado.

A volta do nome da aeronave para Concorde, com o E no final, criou uma revolta nacionalista no Reino Unido. Aí o Ministro veio a público dizer que o E adicionado significava “Excellence, England, Europe e Entente (Cordial).” Aí um escocês ufanista e mal humorado mandou uma carta para o Ministro reclamando da exclusão da Escócia (em Inglês é Scotland) desse arranjo, e o político respondeu pedindo desculpas porque havia esquecido de comunicar que o E também significava “Écosse” — e que deveria ter adicionado também “extravagância” e “escalada.”

O Concorde foi um dos dois únicos aviões comerciais supersônicos da história. O outro foi o Tupolev Tu-144.

Os primeiros protótipos do Concorde começaram a ser construídos em 1965. Em 02 de março de 1969 o Concorde teve o seu primeiro voo, e em primeiro de outubro daquele ano quebrou a barreira do som pela primeira vez.

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O nariz do Concorde é (era) basculante. Isso permitia ao piloto melhorar a visibilidade da pista para as operações de táxi, pouso e decolagem, bem como permitia fazer um “ajuste fino” da aerodinâmica do avião.

O atrito com o ar era tão imenso que era impossível evitar o aquecimento da cabine. Ao final de um voo no Concorde qualquer um que tocasse as janelas do avião poderia perceber o calor na fuselagem.

Para aguentar velocidades acima de Mach 1 (supersônicas) o Concorde tinha um formato de “delta.” À velocidade em que o Concorde voava (acima de Mach 2) as forças exercidas nas partes do avião eram tão intensas que os primeiros protótipos sofreram danos estruturais devido a operações simples de “subir” ou “descer” no ar, ou inclinar para os lados. Isto foi resolvido posteriormente reajustando as dimensões e proporções entre as asas e a fuselagem.

Manter precisão em um voo acima de 2100km/h é muito complicado. O Concorde contava com computadores digitais que formavam um complexo sistema de telemetria altamente precisa, de todas as condições da máquina.

O sistema de navegação era tão avançado e completo que  só exigia dos pilotos operassem manualmente para pouso e decolagem.

O Concorde não tinha sistema de força auxiliar. Devido ao seu tanho ele era previsto para operar apenas em aeroportos muito grandes, que sempre contavam com carros externos para partida no solo. O Concorde tinha 62m de comprimento.

Dizem que Frank Pourcel foi contratado para elaborar a música-tema do Concorde. Para tirar o prejuízo eles precisavam vender uma centena, mas tinham conseguido vender só umas poucas unidades.

Não fiz pesquisas para confirmar, mas reza a lenda que o Concorde foi criado sete anos antes da primeira calculadora científica. Toda sua engenharia foi calculada à mão (e cérebro).

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Dizem que os russos produziram uma versão própria para o Concorde. Tinha o sugestivo nome de Concordsky.

A velocidade de cruzeiro máxima do Concorde era Mach 2,04 (aproximadamente 2179km/h ou 1354mph).

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Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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