#365Poss – Rei do Camarote de fiofó é… Deixa pra lá.

Nas redes sociais, nos meios de comunicação em massa, em toda parte, só se fala nos novos ricos que vão para a balada de Ferrari e torram milhares de Reais numa única noite. O que eu tenho a ver com isso?


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Como eu não acompanho futebol, só o que tenho visto nas redes sociais e demais meios de comunicação são comentários acerca do empresário que sei lá eu por que cargas d’água gravou um vídeo “explicando” como é ser o “rei do camarote” e o que ele tem de fazer para ser admirado.

Eu não aguentei ver o vídeo até o fim (e nem vou incluí-lo por aqui, quem quiser que use a busca do YouTube), porque, simplesmente, eu não me identifico em nada com a proposta do cara. Meu conceito de diversão é muito mais minimalista, e implica nudez quase total (mas nada contra quem queira fazer bareback, só não comigo), sem bebidas que piscam, sem carros caros, ou de preço algum. Também não consegui aturar o vocabulário do sujeito, o sorriso forçado, e — para isso vale-me o preconceito — o sotaque dele.

Dica do tio Janio: quando as pessoas sorriem só com a boca, sem fazer ruguinha ao redor dos olhos, a pessoa está sendo cínica, e não sorrindo de verdade.

Que eu não tenha tido saco para ver o vídeo até o fim, ou que o sorriso do sujeito seja menos sincero do que minha rabugice, nada disso importa, porque, afinal, cada um cuida da sua vida.

Mas a vida não é tão linda quando o jovem empresário quer que seja, nem como eu gostaria que fosse, e as pessoas estão sim ficando ofendidinhas com a futilidade e a ostentação, pecados supostamente cometidos pelo “rei do camarote”.

E essa condenação que andam querendo impingir ao rapaz, essa, sim, me incomoda.

Primeiro de tudo: se o cara gasta cinquenta mil numa noite de festa é porque ele tem o dinheiro para gastar. A maquininha do cartão não aceita que alguém tente fazer um pagamento de valor superior ao seu limite de crédito. E se ele tem essa possibilidade, qual é o problema?

Segundo: o cara está gastando o dinheiro dele, e não o meu (ou o seu). Caso ele estivesse (ou esteja) gastando os recursos de outra pessoa, apenas esta pessoa teria o direito de argumentar qualquer coisa com relação ao que o rapaz faz com a grana.

Terceiro: se você acha que existem pessoas precisando de cuidados, que cinquenta mil Reais poderiam mudar a vida de muitas pessoas, ou de muitos bichinhos, ou de sei lá quem, então arranje você o dinheiro e vá fazer a caridade que quer ver no mundo. Qualquer coisa fora isso é querer cagar regra na vida do cara, é cercear a liberdade que ele tem de fazer o que quiser com o dinheiro. Se quiser limpar a bunda com as notas de dinheiro, o problema é dele, não meu ou seu.

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Quarto: muito pior do que o cara que tem dinheiro ir para a balada e torrar o quanto quiser e puder é ter dinheiro e não gastar, não botar essa energia a movimentar os mecanismos econômicos, que se traduzem em empregos (só seguranças acho que ele tem uns três por noite, fora os empregados das casas aonde ele vai para se divertir), o que por si só já é uma maneira de o cara fazer o bem pelos outros com a grana que tem.

Quinto: quem se acha no direito de deliberar sobre o que os reis do camarote devem fazer como seu dinheiro, como devem gastar ou aplicar, ou qualquer bobagem dessas, está legitimando a atitude dos pudicos e preconceituosos de plantão que ficam regulando a sexualidade alheia. É a mesma coisa, só muda o objeto em foco (dinheiro x rabo).

Além disso, cabe uma outra reflexão: quem não gosta de ostentar as coisas boas que realiza ou conquista?

Eu mesmo, a primeira coisa que fiz quando comprei um carro novo (meu primeiro carro zero quilômetro em mais de quarenta anos de vida) foi postar foto na rede social de microblogs:

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Claro que o meu carro custou uma vida inteira de trabalho, e vale uma fração do que o rei do camarote gasta em um fim de semana, e o seguro está sendo pago parcelado. Mas eu fiquei muito feliz de poder mostrar aos meus amigos (ou a quem quisesse ver) que eu me orgulho por meu trabalho me levar ao ponto de comprar um automóvel que sempre foi um sonho de consumo, e que enfim realizei.

E mais: quando as pessoas postam fotos de comida no Instagram (ou seja onde for)? Quando ficam dando “checkin” em lugares badalados para mostrar aos amigos o quão viajados são? Quando compartilham  status do Skoob para dizer o quão lidos? Ou do GetGlue, para mostrar o quão bem selecionam seu entretenimento?

Nem vou falar de bugigangas eletrônicas, como celulares caros e avançados, que as pessoas fazem questão de exibir desde a embalagem até o uso mais íntimo possível; dos trecos importados, sejam da Apple ou não; das roupas de marca; dos “looks do dia”, das maquiagens, e de tudo o mais que as pessoas gostam de ostentar. E tudo tão ou mais fútil do que o sujeito beber champanhe apenas porque é chique, porque ele gostaria mesmo era de se entorpedar de vodka.

Esse mundo anda mesmo cheio de sujos falando dos mal lavados.

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#365Poss – Rei do Camarote de fiofó é… Deixa pra lá.

Janio Sarmento
Administrador de sistemas, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam cada vez mais sedutoras para as grandes massas.

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