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Todo mundo fala que “há pessoas que vêm pra vida da gente e ficam, e outras que passam pela vida da gente feito um furacão, e assim como chegaram vão embora”. Eu sou destas pessoas, pois minha natureza me impede de ficar muito tempo em um mesmo lugar, ou fazendo a mesma coisa do mesmo jeito. Essa característica me permite conhecer um tanto do comportamento humano (não tanto quanto a auto-observação, é verdade), em função dos diversos tipos com quem já convivi e convivo, com seus tão variados conjuntos de valores, estilos de vida, crenças, etc.

É inerente do ser humano o condicionamento de “vender uma imagem”, enquanto ele não atinge uma maturidade tal que lhe permita simplesmente ser ele mesmo e ignorar o que as outras pessoas pensam. E embora as muitas variações que possam ocorrer, há basicamente duas imagens que as pessoas podem passar: a que atrai dó das outras pessoas, e a que atrai a admiração alheia. E, infelizmente, essas duas não convivem juntas: ninguém admira genuinamente alguém que só é digno de pena, tampouco sente dó de quem é admirável.

O coitadinho é um filho da puta

Acontece que todo mundo sabe que esconder-se atrás da imagem de coitadinho é uma grande filhadaputice, é disfarçar sob a imagem de “pobrezinho” e vítima das circunstâncias um desejo incontrolável de espoliar o outro, de tirar vantagem, de ficar com todos os benefícios que qualquer situação possa implicar, sendo ou não sendo seu de direito.

Basta ver que quando alguém tenta ajudar um coitadinho, ele até diz que vai fazer o que o bem intencionado propõe, mas sequer agradece pelo conselho que acabou de ganhar, muito menos botar em prática. E ele nem agradece porque o desinteresse em deixar de ser filho da puta explorador é tão irrisório que meio segundo depois de ouvir o conselho ele já esqueceu o que ouviu (ou ele se sentiria mal de nem ao menos agradecer).

O destino do coitadinho

O que a vítima profissional não percebe é que por mais que as pessoas tenham cara de otárias, elas não são; elas podem até dar o benefício da dúvida para o coitadinho da vez, mas não tardarão a ver que o coitadinho não tem real interesse em deixar de ser o explorador que é, e a menos que estejam enredadas em algum gancho psicológico entre coitadinhos, vai tratar de fazer a má pessoa sair de sua vida.

Remédio de filho da puta é outro na porta

Só há duas maneiras de um coitadinho profissional continuar “coitadinhando” indefinidamente: se ele estiver constantemente renovando seu estoque de vítimas, ou se ele encontrar um outro filho da puta igual ou pior, que precise dele para desculpar sua própria filhadaputice.

Isso porque para quem não é filho da puta, a filhadaputice é um crime inafiançável, indesculpável.

Uma pessoa honrada, respeitadora, vai sentir asco do coitadismo, porque ser esta a forma mais torpe de desrespeito ao outro.

Pessoas admiráveis o são até sob dificuldades

Não quero dizer com isto que falo sobre as vítimas profissionais que pessoas admiráveis não passem por dificuldades. Provavelmente pessoas admiráveis passam por muito mais dificuldades reais que os coitadinhos, mas não fazem das dificuldades mote para vampirizar a comiseração alheia.

Conheço uma mulher que ficou viúva muito cedo, com dois filhos pequenos e uma filha em gestação, na década de 1970. Ela poderia ter sido coitadinha, mas em vez disso ela se mostrou uma mulher admirável, pois criou uma família maravilhosa, honrada, deu educação e instrução aos três, sem deixar que a situação pudesse ser desculpa para trair o que um ser humano tem de mais valioso, que são seus valores e seu amor próprio.

Dona Ana, um beijão pra senhora, e não é segredo nenhum que sou um grande fã seu!

O que faz uma pessoa ser admirável

Em minha modesta opinião, que não quer ser um grão de pólen a mais do que apenas isso, são dois os fatores principais que definem uma pessoa admirável.

  • Respeito
  • Atitude positiva

Uma pessoa admirável se faz respeitar porque respeita. Uma pessoa admirável não trai a confiança de seus aliados, não abusa da amizade que as pessoas devotam a ela, tampouco esquece dos compromissos assumidos ou da palavra empenhada. Em caso de dificuldade, uma pessoa admirável vai ter a decência de comunicar com toda clareza do mundo aos implicados o que está acontecendo, e oferecer novos prazos, alternativas, o que for de acordo com o contexto.

Mas acima de tudo, uma pessoa admirável estará sempre um passo à frente, ou pelo menos tentando. Nunca uma pessoa admirável vai usar suas dificuldades pessoais como pretexto para não cumprir compromissos nem manter comunicação clara com as pessoas com quem os tenha assumido. Uma pessoa admirável não se cansará de levantar a cada tombo, porque ela saberá que sempre que pedir ajuda será um pedido sincero, que será ouvido e atendido pelas pessoas admiráveis e honradas cuja amizade e respeito ela terá conquistado.

E ao vencer a dificuldade, a pessoa admirável não volta as costas a quem ajudou a atravessar a tempestade, pois sabe que cada um fez o que podia fazer para ajudar; se um fez mais que o outro, terá sido apenas porque tinha condições de fazer mais. E por respeito a essas pessoas, um indivíduo admirável jamais vai trocar sua gratidão por qualquer outra coisa.

Você escolhe como os outros vão vê-lo

Os coitadinhos profissionais costumam alimentar seu vício de ser filho da puta na falácia de que não têm controle sobre como os outros o enxergam.

Já as pessoas admiráveis o são nem é porque saibam  manipular a percepção alheia, até porque a opinião de gente manipulável é merda para um indivíduo realmente admirável.

Uma pessoa admirável, acima de tudo, sabe que se partir para o coitadismo vai estar sendo filho da puta com os outros a quem venha a explorar, mas acima de tudo estará sendo filho da puta, traidor, assassino do próprio talento, do próprio brilho, dos valores mais sagrados que um ser humano pode carregar dentro de si.

Que venham a mim todas as pessoas admiráveis e honradas, muito me interessa ser seu amigo. Dos filhos da puta, vítimas profissionais, quero distância, porque já evoluí além disso, e não preciso nadar no esterco para saber que é algo que não me agrada.

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