12 Jun 2007
Viva a Liberdade e a Diversidade!
Ontem aconteceu a XI Parada GLBT de São Paulo, que já é um dos maiores eventos do mundo em torno dessas minorias, cuja diferença está justamente em suas preferências afetivo-sexuais.
Na verdade, o fantástico mundo de Janio não tem espaço para um evento desses. Não por preconceito, mas por eu acreditar que a Humanidade já esteja em um nível tal de consciência e evolução cultural com o qual não seja compatível as minorias terem de se unirem e formarem uma grande massa para serem vistas, ouvidas e respeitadas.
No caso específico, falamos de minorias pela orientação sexual, mas não são as únicas.
Certa vez, numa empresa em que eu trabalhava e para a qual conduzia um processo de seleção, fui impedido de contratar o melhor candidato para a vaga porque ele era muito gordo. As justificativas do dono da empresa para vetar a contratação foram “eu não tenho cadeiras na empresa pra comportar uma baleia dessas” e “um porco gordo desses vai viver mais no veterinário do que na empresa trabalhando”. E não, isso não é ficção.
Doutra vez, há mais tempo, fui proibido de entrar na casa de um colega de aula, que era um grande amigo. O pai dele disse que se eu voltasse a falar com o filho, ele botaria a polícia atrás de mim. O motivo: eu era espírita, e eles “cristãos”. Como se ser espíritas não fossem cristãos.
Hoje tive outra vez uma prova de que não importa que escolas as pessoas freqüentem, de quanto sejam seus salários, aonde elas vão para lavar seus carros, ou em que supermercado fazem suas compras. Se elas tiverem de abrir mão do seu direito de pensar com a própria cabeça, para serem, ao invés, cabeças de gado, basta que tenha um líder que lhes passe a cartilha.
De repente, nem sei como, vi-me hoje no meio de um bando de crentes, daqueles que se dizem os únicos cristãos na face da terra. De uma brincadeira com um colega que esteve em São Paulo no fim de semana da Parada fazendo um curso surgiu uma conversa amarga, indigesta, como Gaya sempre ensina para os seres vivos que são todas as coisas venenosas (foi assim que as espécies aprenderam o que é nutritivo e o que é nocivo na natureza). Um dos meus pretensos amigos engatou na piada sobre o seu colega para discorrer sobre o quão “anti-natural” é a relação amorosa entre dois homens ou duas mulheres, bem como o quanto isso afeta a cabeça de uma criança que seja adotada “por uns anormais desses” (sic).
Por uns poucos minutos tentei argumentar, mas assim que o raciocínio deu lugar a argumentos do tipo “quem defende homossexualismo são as mesmas pessoas que pensam que diabo não existe”, aí eu calei de vez.
Este é o tipo de gente que está tomando conta dos corpos e mentes dos pusilânimes que abarrotam igrejas, entregando o fruto de seu suor para líderes doentes, que ao invés de usarem o verbo para levar cultura e respeito ao gado, ficam enchendo suas cabeças ocas com bobagens.
Estou vendo chegar um tempo em que haverá a necessidade de uma outra minoria se reunir para somar suas forças: a dos que pensam com a própria cabeça, vivem e deixam viver; dos que respeitam; dos que têm Deus no seu coração, e não fora de si como um objetivo a ser alcançado; dos que sabem que o pior demônio é aquele que está dentro de si mesmos, falando pelas suas bocas, e não o que está socado nas profundezas do inferno. Quando tiver uma parada dessas, me convidem que eu desfilo na comissão de frente.
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Os Detentores da Verdade costumam agir assim.
Eu acho que deveria ter alguma Lei permitindo dar uma traulitada no sujeito, numa situação dessas. Pois como argumentação não adianta, só fazendo a razão entrar na cabeça deles pela fratura exposta.
Será que é TÃO difícil assim cuidar da própria vida?
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Bah Janio, você colocou em palavras tudo o que penso. Não raramente vivencio situações assim, não relacionadas a gostos sexuais ou religiosos, mas, políticos. Possuo alguns colegas de trabalho que se acham donos da verdade quando o assunto é política, hehehehe.
É realmente lamentável que pessoas se comportem dessa forma e ainda possuem a mediocridade de se auto-proclamarem “pessoas cultas”.
É o fim!
Gostei do comentário do cardoso e concordo que deveria existir uma lei que premitisse a “traulitada”.
[Reply]
[...] Lendo um artigo de um amigo meu, achei muito interessante as posições que ele toma: Viva a Liberdade e a Diversidade! [...]
Janio, inicialmente, parabéns pelo post. Muito bom mesmo.
Infelizmente a diversidade não é respeitada. Já aconteceram casos comigo em que me olharam torto por ser gordo, e inclusive acredito que já devo ter sido cortado de seleções de emprego. A propósito tu tava entrevistando alguém pra uma vaga de Unix?
Mas voltando ao assunto: se você não se encaixa no template branco-cristão-fundamentalista-heterossexual-de-porte-atlético você acaba virando alvo de gracejos e agressões gratuitas. E o que é pior, muita gente, mesmo sendo vítima e que deveria respeitar os outros, pois sabe como é sentir discriminado, tenta de alguma forma se adequar aos padrões, como por exemplo me aconteceu ontem.
O analista de SAP, tão gordo quanto eu, que está trabalhando comigo num projeto, comentou algo mais ou menos assim:
“Viu que coisa bizarra aconteceu em São Paulo nesse domingo? Aquela viadagem da parada gay. Devia morrer todo mundo.”
Apesar de eu não gostar desse lance de “carnaval”, não tenho nada contra homossexuais, inclusive tenho amigos e pessoas próximas na família que são gays, e não os excluo de minha convivência por isso. Foi mais ou menos o que eu disse ao cara do SAP, que na mesma hora tentou escapar pela tangente:
“Também não tenho nada contra não. Só não quero perto de mim…”
O ser humano é realmente muito estranho…
Em tempo, minha esposa publicou recentemente alguns posts cujo conteúdo é bastante pertinente a essa discussão. O primeiro deles pode ser lido em: http://naselva.com/jana/2007/06/01/peco-desculpa-aos-preconceituosos-mas-respeito-e-fundamental/
Abraços!
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Mas que é divertido discutir com pessoas de igreja, é. =DDDDDDDDDDDDDD
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Janio, me identifiquei demais com teu post no sentido de você não ter assumido um discurso panfletário, que acaba se perdendo ou perdendo a medida. Acho que a Parada Gay, por exemplo, é um evento importante, mas acredito que ela tenha pouco alcance no sentido de fazer com que os homofóbicos mudem suas perspectivas. O evento é importante porque lembra às pessoas que existe uma parcela da população que precisa de espaço e de respeito. Apesar de muitos simplesmente fingirem que esta fatia da população não existe, o dia da Parada é exatamente o dia do lembrete de que sim eles existem e de que são cidadãos comuns, com os mesmos direitos e deveres que um cidadão heteressexual.
Há uma semana venho tocando em pontos como intolerância e preconceito, porque é algo que cada vez mais está ferindo os direitos humanos. Tudo que é considerado desvio daquilo que é alçado como padrão está sendo negado, rechaçado, sufocado. As diferenças estão sendo apagadas em nome de um ideal de homogeneização. A bola da vez é massificar e cada vez mais as pessoas, aquelas que não conseguem suportar a pressão externa, acaba tentando se ajustar e acabam renunciando à sua subjetividade. O mais desolador é saber que somos frutos de uma história de apagamentos, de imposição cultural, que não só envolvia a língua como também uma série de símbolos culturais, que foram violentamente introjetados no imaginário dos povos conquistados. A colonização continua, mas a busca agora é pela conquista de territórios na subjetividade.
Abraços,
Janaína.
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Por essas e outras não tenho mais paciência para nenhuma instituição religiosa. Não suporto definições de “pecado” ou de “certo/errado” ditadas por gente medíocre que se acha a voz de Deus na Terra. Claro que há exceções e líderes religiosos de boa cabeça, mas a regra é, infelizmente, a ignorância.
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Olá Jânio.
Embora eu seja, por assim dizer, evangélico, creio que me enquandro nesse seu último paragráfo, não só eu, mas alguns irmãos de uma visão chamada de “caminho da Graça”.
Caso tenha curiosidade para saber do que falo, dê uma lida no site do escritor Caio Fábio:
http://www.caiofabio.com
Espero que lhe seja útil.
Abraços.
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