Viva a Liberdade e a Diversidade!
Ontem aconteceu a XI Parada GLBT de São Paulo, que já é um dos maiores eventos do mundo em torno dessas minorias, cuja diferença está justamente em suas preferências afetivo-sexuais.
Na verdade, o fantástico mundo de Janio não tem espaço para um evento desses. Não por preconceito, mas por eu acreditar que a Humanidade já esteja em um nível tal de consciência e evolução cultural com o qual não seja compatível as minorias terem de se unirem e formarem uma grande massa para serem vistas, ouvidas e respeitadas.
No caso específico, falamos de minorias pela orientação sexual, mas não são as únicas.
Certa vez, numa empresa em que eu trabalhava e para a qual conduzia um processo de seleção, fui impedido de contratar o melhor candidato para a vaga porque ele era muito gordo. As justificativas do dono da empresa para vetar a contratação foram “eu não tenho cadeiras na empresa pra comportar uma baleia dessas” e “um porco gordo desses vai viver mais no veterinário do que na empresa trabalhando”. E não, isso não é ficção.
Doutra vez, há mais tempo, fui proibido de entrar na casa de um colega de aula, que era um grande amigo. O pai dele disse que se eu voltasse a falar com o filho, ele botaria a polícia atrás de mim. O motivo: eu era espírita, e eles “cristãos”. Como se ser espíritas não fossem cristãos.
Hoje tive outra vez uma prova de que não importa que escolas as pessoas freqüentem, de quanto sejam seus salários, aonde elas vão para lavar seus carros, ou em que supermercado fazem suas compras. Se elas tiverem de abrir mão do seu direito de pensar com a própria cabeça, para serem, ao invés, cabeças de gado, basta que tenha um líder que lhes passe a cartilha.
De repente, nem sei como, vi-me hoje no meio de um bando de crentes, daqueles que se dizem os únicos cristãos na face da terra. De uma brincadeira com um colega que esteve em São Paulo no fim de semana da Parada fazendo um curso surgiu uma conversa amarga, indigesta, como Gaya sempre ensina para os seres vivos que são todas as coisas venenosas (foi assim que as espécies aprenderam o que é nutritivo e o que é nocivo na natureza). Um dos meus pretensos amigos engatou na piada sobre o seu colega para discorrer sobre o quão “anti-natural” é a relação amorosa entre dois homens ou duas mulheres, bem como o quanto isso afeta a cabeça de uma criança que seja adotada “por uns anormais desses” (sic).
Por uns poucos minutos tentei argumentar, mas assim que o raciocínio deu lugar a argumentos do tipo “quem defende homossexualismo são as mesmas pessoas que pensam que diabo não existe”, aí eu calei de vez.
Este é o tipo de gente que está tomando conta dos corpos e mentes dos pusilânimes que abarrotam igrejas, entregando o fruto de seu suor para líderes doentes, que ao invés de usarem o verbo para levar cultura e respeito ao gado, ficam enchendo suas cabeças ocas com bobagens.
Estou vendo chegar um tempo em que haverá a necessidade de uma outra minoria se reunir para somar suas forças: a dos que pensam com a própria cabeça, vivem e deixam viver; dos que respeitam; dos que têm Deus no seu coração, e não fora de si como um objetivo a ser alcançado; dos que sabem que o pior demônio é aquele que está dentro de si mesmos, falando pelas suas bocas, e não o que está socado nas profundezas do inferno. Quando tiver uma parada dessas, me convidem que eu desfilo na comissão de frente.
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