Hoje à noite terei uma reunião com dois amigos para tratarmos de um projeto muito legal, com pretensões nada modestas: vamos apresentar ao mundo um jogo cujo resultado final será a salvação do planeta. Porém, urge que eu escreva sobre o assunto das sacolas retornáveis por dois motivos: primeiro a importância implícita do assunto, e segundo devido a um fato que aconteceu ontem e que é bastante ilustrativo da situação atual.
Antes de mais nada, é necessário considerar que as sacolas plásticas descartáveis, daquelas que a gente “ganha” no supermercado, são produzidas aos milhares por minuto, normalmente não têm utilidade por mais do que meia horinha (imagino que muito menos na média), e uma vez descartadas na natureza levam mais de 500 anos para se decomporem.
Sem querer chover no molhado, já que todo mundo sabe a imundice que são sacolas plásticas jogadas em rios, riachos e arroios, no quanto morrem animaizinhos indefesos que se asfixiam ao engolir o lixo petroderivado, gostaria de lembrar as pessoas que atitudes simples podem fazer muita diferença no equilíbrio ecológico do planeta.. Não vou falar de nada impossível aqui, apenas das atitudes que eu próprio estou tomando para fazer a minha parte, e que qualquer um pode fazer.
Em primeiro lugar, estou terminando minha última garrafa de água mineral e adquirindo um filtro. Cada garrafa de vinte litros da água mineral que eu uso custa R$ 8,00. Um filtro de água custa cerca de R$ 60,00, o que significa que a cada sete bombonas de água mineral eu posso comprar um novo filtro; ora, minha família consome normalmente quatro bombonas por mês, então em dois meses meu filtro estará pago. Apesar de as embalagens de água mineral serem retornáveis, muitas ainda são produzidas todos os dias, e muitas também são descartadas diariamente, na maior parte das vezes sem o menor cuidado.
Outra atitude simples que estou tomando é separar o meu lixo, independente do que a coleta pública faça. Isso porque aqui no Centro há muitos catadores que por força da necessidade vasculham as sacolas de lixo jogadas fora em busca de material reciclável. Ao separar o lixo por tipo estou facilitando o trabalho dessas pessoas que vivem do que não presta mais a pessoas como você e eu. Se a prefeitura não faz coleta seletiva, o problema não é mais meu.
E, claro, as sacolas retornáveis. No Mercado Público de Porto Alegre há uma campanha não levada muito a sério pelos lojistas para conscientizar os usuários a comprarem uma sacola resistente para transportar suas compras, de forma a evitar o consumo de sacolas plásticas. Porém, quem deveria fazer a sua parte — os lojistas — não faz.
Ontem fui comprar pão numa padaria que tem no Mercado. Não vou nem falar do péssimo atendimento porque isso é assunto pra outra crônica. Mas vou falar que fiquei muito feliz quando a menina que me atendia colocou os pães que eu comprara dentro de um saco de papel. Ora, considerando a necessidade de condições de higiene (eu não largaria meus pães direto na sacola retornável) o saco de papel é absolutamente excelente, pois é muitíssimo mais biodegradável do que qualquer tipo de plástico. Mas a alegria durou muito pouco, alguns segundos, pois ela enfiou meu saco de pães dentro de uma porcaria de uma sacola plástica! Quando perguntei por que ela fizera isso, respondeu que era para eu levar comigo uma propaganda da loja, para não esquecer de voltar lá quando quisesse “gostosuras”.
Lamentável.
Se ela realmente quisesse que eu fizesse propaganda para ela gratuitamente por muito tempo, melhor seria se tivesse me dado uma sacola retornável com a propaganda estampada. Aonde quer que eu fosse, supermercado, farmácia, videolocadora, eu estaria levando a marca da padaria comigo. Mas a mentalidade média do empresariado pensa que a quantidade de sacolas-panfletos distribuídas em um dia é mais importante do que a duração de sua campanha, e por isso ignoram solenemente que o planeta está sendo solapado em sua riqueza natural.
Faça sua parte: diga não às sacolas plásticas.

Janio, muito bom o post e aconsciencia ecologica.
Aqui em Portugal o governo tentou impor uma taxa sobre os sacos de supermecado, mas nao conseguiu. A saida foi a utilização de outro tipo de polimero (plastico) que se decompõe em menos de 3 anos.
É muito dificil concientizar as pessoas para a importancia da reciclagem
Estou com um post engatilhado sobre o assunto há tempos! Qualquer hora sai. Uma iniciativa bacana é a do Pão de Açúcar, que vende sacolas grandes de TNT (portanto, retornáveis). O ponto ruim é que eles não divulgam… a conscientização é muito lenta, ainda.
A “moda das sacolinhas plásticas” é uma moda que infelizmente, pegou. Lembro que na minha infância (e olha que nem sou tão velha assim) eu ia ao supermercado com minha mãe e todas as embalagens para as compras disponíveis eram de papel. Mas o tempo se passou e todas foram substituídas pelas maledetas sacolinhas plásticas. Por que que coisa boa sempre é esquecida? Enfim, tenho que providenciar uma sacola retornável urgentemente.
Fabiana, não concordo. Com os sacos de papel era uma floresta inteira por dia. Mais desmatamentos, mais eucaliptos plantados e por aí afora.
É só a minha opinião
Janio.
Em Nova York tem uma campanh pelas sacolas “reutilizáveis”. Uma das fontes de renda é uma sacola com a estampa “eu não sou uma sacola de plástico”, custa uns $35 e é feita de tecido.
Tomara que vire moda.
Melhor uma sacolona grande (reaproveitável e resistente) do que as 20 pequenas sacolinhas que geralmente a gente carrega.
É ridícula essa conversa toda. O povão joga tudo na rua, sem a menor cerimônia e a culpa cai sobre o plástico.
No post encontramos “… imundice que são sacolas plásticas jogadas em rios, riachos e arroios, no quanto morrem animaizinhos indefesos que se asfixiam ao engolir o lixo petroderivado, gostaria de lembrar as pessoas que atitudes simples …”.
Pois é, atitude simples é não jogar lixo na rua, separar e classificar seu lixo e mandar para reciclagem. Poucas coisas nesse planeta são tão recicláveis quanto o plástico e ele ainda por cima não contamina o solo, é inerte. Como todos os outros lixos jogados na rua se decompõem, sobra somente o plástico, garrafas e sacolas, mas por que e como eles foram para lá? Para mim esse é o verdadeiro problema a ser combatido. Vocês já viram na europa ou dos EUA lixo boiando nos rios? Por que será? Eles não usam plástico por lá?
Atitude simples e inteligente é não desperdiçar os recursos do nosso planeta simplesmente usando e jogando fora, tudo pode e dever ser reaproveitado.
Ê, Jânio! Água cara essa, hein? Pago 4 aqui em Sampa. Ainda não parei com a água mineral de garrafão – até porque a tal da bombona vai e volta,né? Mas evito as garrafas PET o mais que posso. Cheguei ao cúmulo de preferir refri e cerveja na latinha…
As tais sacolinhas são a minha meta no Dia da Terra do ano passado, lá no Faça a Sua Parte (www.verbeat.org/blogs/facaasuaparte). consegui reduzir o consumo em mais de 80%. Acabei com toda a sacoleira da casa, através de reciclagem, graças a deus…
só estou na sacola retornável. Uma de pano, bacana, do Akatu. Outra de plástico, super-resistente que ganhei de presente de uma grande grife de óculos.
Sem dizer que carregar as compras na sacolona é mais prático e fácil (e não machuca a mão).
Certo, certo… Tudo muito “bunitinhu”! Não jogo minha sacolinha no rio. Utilizo a sacola plástica para jogar o meu lixo diário dentro do caminhãozão da empresa coletora de lixo. Então,… deixamos de receber a sacolinha com o preço incluso (e diluído) na mercadoria comprada e passemos a comprar sacolinhas plásticas para jogar o nosso lixo fora.
Olha a ironia: os links do Google direcionam para empresas fornecedoras de sacolas plásticas!!!
Oi Janio
Achei seu artigo ótimo. Aqui na Alemanha, onde vivo já há 26 anos todo mundo leva sua sacola ao supermercado ou até mesmo a famosa cesta de vime.
Há pouco tempo comprei uma sacola com a bandeira da Espanha. É muito bonita e eu a uso todos os dias. Acabei de pedir pra minha prima, que mora no Brasil 2 sacolas ecológicas do Pão de Açúcar com aqueles bichos maravilhosos incríveis.
Temos que despertar a consciência ecológica também dos brasileiros e evitar aquela montoeira de sacos plásticos.
Um abraço aqui de Metzingen no sul da Alemanha
Taia1255
dificílimo ler textos como o seu…
isso dá esperança quando vc se sente a minoria na multidão.
Só gostaria de saber onde vamos colocar o nosso lixo?
Em sacos plasticos que teremos que comprar no superemercado ou temos outra soluçao?