Ubuntu Feisty Fawn versus Beryl
Não agüentei. Esperar praticamente duas semanas para atualizar minha distro, para poder experimentar os benefícios da nova versão estava fora de cogitação. Além disso, eu precisava de um pouco mais de emoção para minha vida morna.
Na sexta eu decidi: é agora. Achei um tutorial qualquer de atualização do Ubuntu, e mandei ver. Após um download de quase 800MB (a 275kpbs, ADSL da GVT comanda), meu computador estava pronto para ser reiniciado na nova versão Feisty Fawn (beta, claro).
Já ouviu aquele ditado? “Se arrependimento matasse eu estava agora durinho e cheio de mosca.”
Para começar, o X não subia. Claro, o Feisty vem com o Kernel 2.6.20, e o meu Edgy estava com o Kernel 2.6.16. Hora de reinstalar o driver da nVidia. Um passeio rápido via elinks para baixar o novo driver, executar o instalador e… voilà! Não deu certo. O driver não compilava. A mensagem que o instalador dava dizia que o problema era com a versão errada do gcc. Não era.
Alterei o xorg.conf para usar o driver “nv” ao invés do “nvidia” e consegui entrar no X. “Tudo bem”, pensou a Rosa do comercial do Fiesta. Eu estava prestes a ficar sem o Beryl, mas sei que o Feisty vem com o Compiz pré-instalado, e seguindo a filosofia do Ubuntu, é só usar.
Habilitei o XGL e o Compiz, e tudo que consegui foi uma tela em branco.
Reiniciei o X, refiz o login, tudo certinho, mas o desgraçado entrava automaticamente no Compiz e novamente eu com uma tela em branco. Desesperado executei um “sudo chmod -x /ur/bin/compiz” e finalmente pude entrar no modo gráfico, mas agora precisava da um jeito de instalar o driver da nVidia, ou teria de abrir mão do meu desktop de encher os olhos. Comecei a pensar, o que deveria ter feito logo no início, e “realizei” — isso foi uma piadinha com os imbecis que traduzem “to realize” para realizar — que o Kernel era novo, mas que por padrão o apt não instala os headers. Fui lá no Synaptic, marquei todos os pacotes linux-headers, e deixei baixar. Saí do X, matei o GDM, e rodei o instalador.
Agora sim: deu errado novamente.
O desespero estava tomando conta, mas ao ler /var/log/nvidia-installer.log descobri qual era o problema dessa vez: minha placa de vídeo é uma mera MX440, antiga pra cacete, e já não é mais suportada nas novas versões do driver. Voltei no site da nVidia, baixei uma versão mais antiga (96xx) e apesar de alguns “warnings” o instalador rodou certinho, atualizando inclusive meu xorg.conf por mim.
Agora que o driver correto estava instalado, minha máquina estava com a aceleração gráfica funcionando, tudo o que eu teria a fazer seria repetir a instalação do Beryl. Tosco engano. O Beryl até instala, mas as janelas ficam sem as bordas (a “decoração”), e ele não carrega nenhum plugin.
Sem janelas transparentes é que eu não ia ficar. O Compiz teria de funcionar pra mim, já que funcionava para tanta gente.
Fui no Synaptic, marquei todos os pacotes instalados que tinham “compiz” no nome para remoção completa, executei, e depois refiz a instalação de todos os mesmos pacotes. Reiniciei a máquina e o Compiz funcionou, porém com o mesmo problema das janelas sem bordas. Pesquisei numa série de sites, relatórios de bugs do Compiz, do Ubuntu, e finalmente cheguei à solução ao workaround do problema: basta forçar o Gnome a recarregar a decoração das janelas manualmente.
gtk-window-decorator --replace --sync
Para facilitar minha vida, criei um novo lançador na barra superior, e quando acontece de as janelas se pelarem, um clique resolve meu problema. Ah, claro, tentei esse truque com o Beryl, mas não funcionou. Paciência.
Moral da estória: apressado come cru. Não há motivo para se precipitar a atualizar seu Ubuntu para o Feisty se o Edgy está funcionando perfeitamente. Agora eu ou instalo o Edgy outra vez (nem pensar), ou espero que o Feisty oficial seja liberado, torcendo para o Beryl e ele se darem bem.
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