20 Nov 2007

Tommy’s dead, baby, Tommy’s dead

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Durou pouco. Aliás, não interessa o quanto durou ou pudesse ter durado, sempre seria pouco.

Sem mais delongas, o Tommy desencarnou na semana passada. Na quinta-feira, feriado, para ser mais exato. Pesquisei o nome da doença que o acometeu, mas não fui capaz de memorizar quando o veterinário falou. Só sei que foi dos rins, que são mesmo propensos a patologias nos gatos de raça, principalmente os exóticos.

Na verdade, agora que passou o impacto da perda, começo a perceber que o Tommy já apresentava sintomas de uma saúde mais frágil: ele não corria e pulava feito todos os gatos que conheci, e eu achava que era apenas o temperamento dócil dele. Mas ele caminhava com uma certa dificuldade — e eu achava lindo o jeitinho dele andar — que provavelmente já evidenciava alguma dor os rins, e eu, marinheiro de primeira viagem, não percebia.

Nos dois últimos dias dele julguei que ele estivesse estressado, pois eu estava com visita em casa, e passando muito menos tempo com ele.  Achei que ele estivesse deprimido, e por isso passasse mais tempo deitado. Tolo que fui. Se ao invés de fazer suposições eu tivesse levado o bicho mais cedo ao veterinário, é bem possível que ele tivesse podido se salvar.

De qualquer forma, foi muito tocante a maneira como o Tommy escolheu passar os últimos momentos encarnado: ele aguardou que eu chegasse em casa, e o tirasse do canto onde estava deitado; ajeitou-se no meu colo, da sua maneira favorita (com a cabeça no meu ombro, praticamente sentado sobre minha barriga), e chegou a ronronar durante mais de meia hora, apesar de enfraquecido. Com ele no colo telefonei ao veterinário, que pôs-se imediatamente em marcha. Mas não adiantou. Ele chegou uns três minutos depois que meu gatinho de estimação deu o último suspiro em meus braços, selando assim uma relação curta e intensa, com a qual aprendi um bocado de coisas, muitas das quais ainda não tenho sequer consciência.

Por exemplo, aprendi que eu sou capaz de amar. Assim mesmo, verbo intransitivo. Papo para outro post, talvez até em outro blog, mas o fato é que o Tommy me mostrou que eu sei dar meu coração, porque desde sempre eu notei que ele não era “vendável” (ou eu não o teria ganhado de presente), mas nem por isso ou por qualquer “defeito” que ele pudesse ter seria menos importante ou valioso para mim.

Aprendi que não é a duração de um evento que define sua importância, e sim a intensidade em que ele ocorre: o Tommy ficou comigo poucas semanas, mas foi meu companheiro no momento em que eu mais precisei dele, foi quem não se importou se eu estava de mau humor, se eu tinha escovado os dentes ou não, se tinha penteado o cabelo ou não, se tinha dinheiro ou não. Ele simplesmente estava ali, e se eu não queria dar colo, ele deitava a meus pés, mesmo. E não exigia nada em troca, eu é que me sentia na obrigação de prover água, ração e o sanitário dele.

Enfim, o Tommy foi na hora dele; não me sinto culpado pelo que aconteceu, porque tenho certeza de que tudo está sempre certo.

E quando chegar a hora, terei outro gato. Quem sabe, até mesmo um irmão do Tommy.

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7 Respostas para “Tommy’s dead, baby, Tommy’s dead”

  1. Doufer on 21 Nov 2007 at 12:11 am

    Esse ano também perdi meu amigo Flash, um pintcher de 12 anos. Já estava com o pelinho grisalho e com cara de vovô, mas a dor da perda é a mesma. Ele tinha personalidade, era teimoso que só e muito inteligente. Sabia que eu não gostava que me mordesse o calcanhar mas ficava me rodeando só pra me chamar atenção.

    Só sobrou a Ritinha, filhotinha dele que agora está com a minha namorada. Como chorei feito criança e ainda fico chateado ao lembrar da morte dele.

    Só o tempo mesmo, amigo.

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  2. [...] & Afins: Tommy’s dead, baby, Tommy’s dead - O Blogue do Janio Festas de casamento: cinco bons motivos para se casar (ou não) - Pensar [...]

  3. Sergio Grigoletto on 21 Nov 2007 at 11:49 am

    Jango!

    Minha solidariedade.

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  4. Fernando MS - Pulga on 21 Nov 2007 at 1:21 pm

    Puxa… jamais pensei que falaria isso por causa de um gato… mas, lendo as coisas que você escreveu vejo o quão importante ele estava sendo pra você.
    Sinceramente, meus sentimentos.

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  5. Mário Yanase on 21 Nov 2007 at 6:32 pm

    Quando eu era pequeno, eu não vivia sem ter um cachorro, mas sempre ficava mal quando morriam. Depois disso nunca mais pensei em ter um. E é tão difícil vê-los mortos. :(

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  6. ana carolina jaskulski on 22 Nov 2007 at 9:00 am

    Muito triste isso…
    Quando a Sachinha morreu foi muito difícil pra gente, ainda que ela estivesse doente há vários anos.
    Na minha família, os animais são mais importantes do que muitos parentes.

    Meus sentimentos, cara!

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  7. Lucia Freitas on 23 Nov 2007 at 11:47 am

    ah, Jânio! Que tristeza. Tô chorando (de verdade). Esta porcaria de Síndrome Urinária é matadora mesmo. E para marinheiros de primeira viagem (eu já fui uma) é absolutamente indetectável. Ah, que tristeza. Nem tem muito o que te dizer. Carinho no teu coração, grandão. Força. E todo o apoio da galera peluda aqui do Albergue da Joaninha…
    bj

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