14 Mar 2005

Tempus fugit

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Muita gente ouviu falar da Ressonância Schumann por meio do artigo do Leonardo Boff (é só seguir o link para ler, se você ainda não conhece). Acho que é uma teoria fantástica. Mas creio que não seja (só) isso.

Em resumo: em 1952 um físico alemão, de sobrenome Schumann, constatou que o campo eletromagnético que cerca a Terra (entre o solo e a ionosfera) oscila a uma freqüência de 7,83Hz. Porém, nas duas últimas ou três décadas essa freqüência passou para 13Hz. Essa seria razão pela qual têm-se a impressão que o dia encurtou, pois os seres vivos percebem as 24h do dia como se fossem apenas 16h.

Para mim isso faz todo sentido, porém eu acho que é mais do que isso.

Consideremos um cidadão normal (eu), e consideremos seu dia típico: das 24h do dia, 8h são utilizadas dormindo; cerca de 10h são empregadas no trabalho, considerando deslocamentos e pausas obrigatórias; consideremos mais 2h diárias em atividades chatas mas obrigatórias (como lavar roupa, arrumar a casa, fazer supermercado). O que sobra? Sobram 4h para viver. Isso porque eu não estou estudando, pois quando voltar para a faculdade esse tempo vai ser ocupado com o compromisso da sala de aula.

São apenas quatro horas diárias para estar com quem eu amo, para ler meus livros, para navegar na Internet, para assistir um filme, para caminhar ouvindo o vento bater nas folhas.

Há 15 ou 20 anos minha vida era bem diferente, mas também era típica: meu trabalho era de apenas 4h diárias (e antes nem isso eu fazia), e eu podia dormir apenas 6h, e gastava 4h na escola. Sobravam 10h para viver, para passear, para estar com meus amigos, para ouvir música, para andar de bicicleta, para nadar, para namorar. Naquela época eu também tinha três meses de férias por ano, e nunca precisava estar de plantão aos finais de semana.

Essa diminuição do tempo livre é, na minha opinião, que faz a gente imaginar que o tempo está correndo mais depressa.

Acho que o Domenico de Masi é quem tem razão.

Carpe diem.

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