Tele entrega de cerveja
Segunda-feira, calor escaldante, desci do metrô e liguei para o Rafael, meu amigo. “Tô aqui perto do xis, vamos tomar uma Polar?”, intimou ele. Fui, então, para o mesmo lugar onde a mulher quase morreu. Pedimos a primeira Polar que desceu macia e gostosa, quase chorando de solidão e implorando por mais uma para lhe fazer companhia no bucho.
Aí começou o suplício.
Pusemos a garrafa sobre a mesa, e ficamos tentando chamar a atenção dos cinco ou seis atendentes que circulavam por ali, mas pareciam cegos às nossas presenças. Abanamos, gesticulamos, assoviamos, e nada.
Alguma coisa precisava ser feita, mas o quê?
Então enxerguei naquele papelucho onde anotam a despesa da gente o telefone da tele-entrega. Não tive dúvidas, peguei o celular e telefonei.
— Blablablá Lanches, qual o seu pedido?
— Por favor, eu gostaria de uma Polar gelada.
— Certo, e qual o lanche senhor?
— Eu queria só a cerveja por enquanto.
— Está bem. E qual o endereço de entrega?
— Pode mandar entregar aqui na mesa nove, por favor? Faz dez minutos que estamos em vão tentando ser atendidos.
Falei isso olhando para a menina que atendera o telefone. Ela olhou em direção à nossa mesa, abanamos e sorrimos, e nem esperei que ela se despedisse com o clássico “Blablablá Lanches agradece sua ligação, tenha uma boa tarde”.
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