12 Jan 2006
Software pago

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Houve um tempo em que eu achava que software não poderia em hipótese alguma ser pago. Exceto, claro, os softwares que eu desenvolvesse. Durante muito tempo desenvolvi softwares sob medida, e depois fui trabalhar em uma empresa que produz softwares “de prateleira”. E eu continuava achando que os softwares produzidos por mim ou pelo eu empregador deveriam ser pagos, mas os demais deveriam ser gratuitos.
Há quase três anos passei a usar Linux como sistema operacional padrão de minha máquina de casa. Independente de ideologias ou “ideologias”, acabei saciando minha sede por software de qualidade e com custo nulo de aquisição. Durante esse período é claro que não parei de usar Windows, até porque dois terços do meu dinheiro eu ainda ganho por causa dele. Só para constar, não é pelo fato de eu ganhar via software proprietário o dobro do que ganho via software livre que este é pior do que aquele, ou aquele passa a ser melhor do que realmente é.
Quando comprei o laptop ele veio com uma licença de Windows, e mais alguns softwares acessórios. Embora eu não tenha desembolsado uma grana para comprar o software, o preço deste está incluído no valor do computador, e então passei a usar outra vez software proprietário fora dos limites da empresa para quem trabalho.
Posso dizer que algo mudou em mim. Não suporto mais o mal estar de usar software pirata. O nível de ansiedade que experimento usando um programa sobre o qual não tenho direitos é alto, e me incomoda pra caramba.
(Sei que um monte de amigos meus vão dizer: “putz, que putice”.)
Ontem me desfiz do meu iPaq 3650, trocando-o por um Palm Zire 71. Não que o Pocket PC não seja uma máquina boa pra caramba, mas as planilhas de Excel por mais confortáveis e versáteis que sejam não oferecem a flexibilidade de um bom programa de gerenciamento financeiro. E para o Palm existe o excelente Splash Money que eu já usei anteriormente, na época em que usava apenas programas piratas.
Peguei o Palm, e a primeira coisa que fiz foi instalar o Splash Money. Mas desta vez não baixei a demo para em seguida correr ao Astakiller www.astakiller.com procurar um serial para ele. Peguei o cartão de crédito e paguei os trinta dólares que custa o programa.
Isso porque eu já conheço o produto, e sei o quão útil e eficiente ele é. Sei que o preço dele é muito inferior ao seu valor. Sei que tem profissionais que trabalham no desenvolvimento dele, assim como eu trabalho no desenvolvimento de outros produtos. E estas pessoas precisam de salário, assim como eu; essas pessoas precisam de dinheiro para estudar e continuar produzindo, como eu; e eu seria uma bosta de homem se não fosse capaz de, tendo o dinheiro, pagar pelo programa.
Em última análise, acho que tudo flui em direção àquele valor que descobri ser o meu norte numa aula da faculdade: a liberdade. Pago pelo software para poder usá-lo livremente. E se sou livre, sou feliz. Isso é o que conta.
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