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Uma das expressões culturais mais comumente aceitas no mundo todo é o aperto de mãos: com ele selam-se amizades, negócios, acordos diplomáticos, bem como cumprimentam-se pessoas de maneira quase automática. Mas você sabe que o aperto de mãos tem um significado antigo, e que ele pode dizer muita coisa sobre você?

Existe uma técnica chamada “leitura a frio” que consiste em ler e interpretar os sinais não verbais que uma pessoa transmite, de forma a “adivinhar” coisas sobre os outros (deduzir seria o termo mais adequado). Ter conhecimento dos aspectos essenciais da leitura a frio poderá dar ao sujeito uma certa vantagem nos negócios e na vida em geral, principalmente quando serve como ferramenta para impedir uma manipulação inconsciente.

O aperto de mão na História

Historicamente, o aperto de mãos vem dos tempos em que as pessoas viviam em guerra. Mais do que atualmente, quero dizer. O cumprimento de mãos, em que um homem segurava a mão do outro significava acima de tudo uma demonstração de intenção de paz: ao dar a mão para cumprimentar um estava dizendo ao outro “veja, não estou armado”.

Entre os romanos o cumprimento na verdade nem era na mão, e sim nos punhos (a imagem abaixo foi a representação mais aproximada que consegui encontrar), pois ao cumprimentarem-se assim dois cavalheiros inspecionavam as mangas um do outro em busca de um punhal escondido. Da mesma forma, o cumprimento típico do gaúcho consiste em um toque das palmas das mãos, um toque no cotovelo, e em seguida o deslizar das mãos pelo cotovelo do outro, até que as mãos se encontrem para o aperto de mão tradicional. Todos os tradicionalistas repetem o gesto, mas a maioria o faz meramente por repetição, provavelmente sem nunca sequer terem pensado no significado que o trajeto do cotovelo à palma serviria para certificar-se de que o outro realmente está em intenção de paz e não munido de uma arma qualquer na manga.

Por ter entrado para a cultura universal a ponto de seu uso ser praticamente inconsciente hoje em dia, o aperto de mãos pode carregar consigo significados e intenções além dos históricos.

Os tipos de aperto de mão quanto à força

Os apertos de mão variam em termos de pressão aplicada e posição das mãos, basicamente.

O pior tipo de aperto de mão é aquele que você pega na mão da pessoa e parece que está apertando um sapo: frio, úmido e frouxo. Este aperto de mão demostra fraqueza, medo ou insegurança, fragilidade. A sudorese na palma da mão faz com que a temperatura baixe, e a umidade da mão suada causa uma impressão bem desagradável em quem pega uma mão assim para cumprimentar. Além do quê, se for uma pessoa mediana que aperte uma mão dessas vai ficar morrendo de medo de ter quebrado os dedos da outra pessoa.

Se você tem esse tipo de aperto de mão, carregue consigo um lenço e encontre um meio de enxugar as palmas das mãos quando sentir o menor sinal de nervosismo. Há quem diga que visualizar-se aquecendo as mãos sobre uma fogueira aumente a temperatura das extremidades do corpo em até quatro graus Celsius. Mal, com certeza não faz tal mentalização.

Uma variação deste é o aperto de mão que se encontra mais comumente entre as mulheres: o aperto de dedos. Em vez de as palmas se encontrarem e se cumprimentarem a pessoa dá apenas os dedos para a outra, demonstrando dificuldade em confiar, medo, reservas.

No outro extremo temos o aperto de mão superforte que alguns imbecis acham que vai dar impressão de firmeza de caráter, quando na verdade só passa a impressão claríssima de que a pessoa é um brutamontes insensível, violento e agressivo. Se você comete esse erro, conselho de amigo: corrija-se imediatamente.

Imagine que você seja um pintor, pianista, ou mesmo um escritor. Aí vem uma mula vestida de gente e mói os ossos da sua mão ao apertar, provavelmente arruinando a sua carreira para sempre. Você vai ficar com muita raiva dessa criatura, não vai? Pois é.

Como tudo na vida, o aperto de mão ideal não deve ser de extremos. A virtude está é no equilíbrio.

Os tipos de aperto de mão quanto à posição

Há basicamente três tipos de cumprimento no que diz respeito à posição das mãos: aquele em que sua mão fica por cima, o em que sua mão fica por baixo, e o em que ambas as mãos ficam na posição vertical.

Quando ao cumprimentar sua mão fica por cima da mão da outra pessoa você está se colocando numa posição de dominador, de “dono” da situação. Já se sua mão fica por baixo você está se botando numa posição mais submissa, mais passiva. Na maior parte das vezes este arranjo será inconsciente e apenas revelará um certo aspecto da personalidade de ambos, mas há quem se julgue especialista em leitura a frio e manipulação de pessoas, que deliberadamente forçará uma situação em que a mão dele fique numa posição dominante, com o fito de auferir vantagens seja lá em que situação for.

Já o aperto de mão em que ambos ficam com as mãos na posição vertical demonstra equilíbrio e respeito, poupando as pessoas de constrangimentos inconscientes desnecessários

Como “consertar” um aperto de mãos

Às vezes um aperto de mãos “errado” pode estragar uma negociação ou um encontro social. Os aspectos supra mencionados, entre outros, podem criar constrangimentos que acabam por tornar-se sérios bloqueios entre as pessoas, e tomar consciência dos problemas potenciais antes que eles ocorram pode ser vital nessas horas.

Em primeiro lugar, caso você identifique alguma situação de insegurança da outra pessoa, não julgue. Ao contrário, procure deixá-la mais à vontade, respeitando suas limitações.

Não seja precipitado: a não ser que você seja o dono da casa, o líder da reunião, ou a pessoa mais velha do encontro, espere sutilmente que os outros lhe deem a mão para cumprimentar, para evitar o constrangimento de ficar com uma mão estendida no ar enquanto o outro não espera ou não deseja apertá-la.

Esteja preparado para um aperto de mãos de uma daquelas mulas vestidas de gente, mas não seja você uma delas. Caso sua contraparte aperte demais sua mão faça-a imediatamente saber que está machucando você: “o senhor está me machucando” olhando nos olhos da pessoa pode ser mais eficiente do que amputar a mão dela. E caso você encontre pela frente uma pessoa cujo aperto de mão parece um sapo atropelado por um rolo de massa, lembre-se que se tivesse passado pelas mesmas experiências de vida que ela talvez você fosse até mais inseguro. Esmagar seus ossos não vai fazê-la mais feliz nem a você, logo é uma atitude desnecessária e ineficiente.

Se o caso for de uma pessoa que lhe dê apenas a ponta dos dedos, ou caso suas mãos desencontrem, calmamente e olhando nos olhos dela pergunte com gentileza e bom humor: “vamos recomeçar?”. Demonstrar à outra pessoa que você se importa com o aperto de mão dela é o mesmo que dizer que se importa com a pessoa e com os seus sentimentos com relação a si mesma, e que você deseja muito estar numa situação de igualdade com ela.

Caso sua contraparte venha cumprimentá-lo colocando-se desnecessariamente numa situação de submissão, aproveite sua posição dominante e gentilmente corrija a posição das mãos, colocando-as ambas verticalmente. Se for o contrário, ou seja, a outra pessoa tentando dominar no cumprimento, talvez não seja tão fácil assim conduzir as mãos para a posição vertical — porque o outro não vai permitir. Nesse caso pouse sua mão esquerda sobre a mão direita da outra pessoa, o que instantaneamente devolverá o domínio para você, e então reconduza as mãos à posição de igualdade.

Aliás, esta é a única situação em que é conveniente que você cumprimente um estranho com as duas mãos. Fora deste contexto, as duas mãos cumprimentando devem ser utilizadas apenas quando há uma relação de forte afetividade e admiração mútuas, pois este cumprimento pode ser tão íntimo, do ponto de vista do inconsciente, quanto um abraço.

Conclusão

Agora você já conhece os principais tipos de apertos de mão e seus significados inconscientes. Cabe a você observar-se e conhecer-se melhor a fim de criar maior quantidade de situações sociais mais agradáveis, ajudando a fazer o mundo ao seu redor um lugar pelo menos um pouquinho melhor de se viver.

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