20 Aug 2004
Sexta à tarde
Senhor Deus, dai-me paciência!
Se existe algo mais estressante do que sexta-feira à tarde no trabalho, eu desconheço totalmente. Meu grau de intolerância sobe a níveis astronômicos, minha impaciência se potencializa e a vontade de ir embora é que faz meu coração continuar batendo, e não meramente o sangue que me corre nas veias.
Graças a Deus posso enfiar os fones nos ouvidos, e ficar curtindo meu mais eclético CD de MP3, que inclui coisas como Núcleo Base, Legião Urbana, Zamfir, Enya, Iggy Pop, U2, Nidnight Oil, Modern Talking, Erasure, e outras preciosidades da década de 80.
Pois é, na verdade esse “post” não é para falar do tédio ou da vontade de me esconder em minha caverna, digo, de ir para casa. É para falar que estou ficando velho, pois bem poucas coisas das que eu gosto de ouvir, por exemplo, têm menos de 20 anos. Norah Jones é uma das raras exceções.
Lá pelos meados da década de 80 eu estava iniciando a adolescência (hoje em dia parece que ela começa mais cedo, graças a Deus que eu nasci no início dos 70). Bons tempos. Era praxe a gurizada ficar sentada no muro na frente da igreja católica, em Taquara, vendo as meninas passarem. Mas na maior parte do tempo ficávamos mesmo era falando besteira, asneira, abobrinha, e rindo. Como a gente ria naquela época! E como tínhamos sonhos também.
Um dos sonhos que todos tínhamos era de aos 30 anos ter um carro importado, uma Ninja na garagem e ainda ser solteiro, pra poder pegar todas. Alguns de nós conseguiram realizar um terço disso, ou seja, ser solteiro ainda aos 30 anos (como eu). Acho que nenhum dos meus amigos daquela época conseguiu realizar os três sonhos. Quem está melhor conseguiu o carro importado, e uma esposa legal (o que, definitivamente, não parece ser a minha viagem).
Meu avô me disse um dia, ao me ver comentando com meu primo sobre os sonhos da época (quase todos relacionados a ter, incrível como a gente não se preocupava com ser porra nenhuma) que eu deveria tentar realizar os meus sonhos enquanto eles ainda existiam e faziam sentido. Citou seu sonho de juventude, que era ter um Studbacker. Nunca realizou. “Hoje eu poderia ter uma frota de Studbackers se quisesse, mas seria só pra atear fogo, pois não teria valor algum”, justificou ele.
A despeito de o quão feliz eu possa ter sido há 15 ou 18 anos, eu não me trocaria, nem trocaria minha vida, pela daquela época. Eu juro! Hoje sou um cara muito mais feliz, mais esperto (no sentido de menos bronco, cabeça-dura), ganho dinheiro suficiente para viver bem, e sei que tudo na vida é questão de escolha. Não me ponho mais na posição de vítima do mundo. Graças a Deus.
A única coisa que não consigo ainda gerenciar numa boa é sexta-feira à tarde no trabalho.
Carpe diem!
Edição: Loreena McKenith também é o que há!
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Veja se você reconhece, ou se espelha. Ou ambos.
“Quando me sinto assim/ volto a ter quinze anos/ começando tudo de novo/ vou me apanhar sorrindo./Seu amor hoje me alimentará amnhã,/ eis o homem que se apanha chorando.”
Vivendo e não aprendendo,/ eis o homem, esse sou eu/ que se diz seguro, que se diz maduro…”
Vita brevis, ars perenis.